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Alienação Parental: O que Você Precisa Saber Antes de Decidir?

A alienação parental acontece quando um dos genitores age para dificultar ou impedir o convívio da criança com o outro genitor. Provar essa conduta exige documentos, mensagens, testemunhas e, muitas vezes, avaliação psicológica. As consequências podem ir de uma advertência até a inversão da guarda. Cada caso é analisado individualmente pela Justiça, sempre priorizando o melhor interesse da criança.

Por Dra. Vaneska Scarppati 8 min de leitura

A alienação parental acontece quando um dos genitores age para dificultar ou impedir o convívio da criança com o outro genitor. Provar essa conduta exige documentos, mensagens, testemunhas e, muitas vezes, avaliação psicológica. As consequências podem ir de uma advertência até a inversão da guarda. Cada caso é analisado individualmente pela Justiça, sempre priorizando o melhor interesse da criança.

O passo a passo geral em alienação parental

O primeiro passo é reconhecer os sinais. A criança pode demonstrar rejeição injustificada ao genitor, repetir frases do outro, ou se recusar a visitar. Muitas vezes, o alienador faz comentários negativos ou impede contato. Esses comportamentos, quando frequentes, indicam que algo precisa ser avaliado.

Se você suspeita de alienação parental, o ideal é começar reunindo provas. Guarde mensagens, e-mails, gravações (se legais), anote datas de visitas negadas e converse com testemunhas. Depois, procure um advogado especializado em Direito de Família para orientar o caminho. Na prática, isso significa que você deve documentar tudo que possa demonstrar a interferência do outro genitor.

O advogado pode então propor uma ação judicial, pedindo medidas como a fixação de convivência, terapia familiar, ou até a inversão da guarda. O juiz analisará as provas e, se necessário, determinará uma avaliação psicológica da família. O processo pode incluir audiências e, em casos graves, a suspensão ou perda da autoridade parental. Cada caso é único e a decisão sempre prioriza o melhor interesse da criança, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90).

Além disso, a Lei 14.340/2022 trouxe mudanças importantes, como a possibilidade de o juiz determinar a realização de perícia multidisciplinar e a oitiva da criança em ambiente acolhedor. O processo pode ser iniciado pelo genitor prejudicado, pelo Ministério Público ou até mesmo de ofício pelo juiz. O importante é agir assim que os sinais aparecem, pois a demora pode agravar a situação.

  1. Identifique os sinais: Observe mudanças no comportamento da criança, rejeição ao genitor, repetição de discursos do outro.
  2. Reúna provas: Mensagens, áudios, e-mails, testemunhas, registros de visitas negadas.
  3. Consulte um advogado: Busque orientação jurídica para avaliar as provas e decidir a melhor estratégia.
  4. Ingresse com ação judicial: O advogado protocola a ação pedindo as medidas cabíveis.
  5. Acompanhe o processo: Participe de audiências, perícias e cumpra as determinações judiciais.

Documentos e provas que costumam ser pedidos

As provas são fundamentais para demonstrar a alienação parental. Não basta apenas afirmar; é preciso mostrar ao juiz evidências concretas. Os tribunais aceitam diversos tipos de prova, desde documentos até depoimentos de especialistas.

Entre as provas mais comuns estão: mensagens de texto ou WhatsApp, e-mails, gravações de ligações (desde que não sejam ilegais), testemunhas (familiares, amigos, professores), relatórios escolares que mostrem mudanças no comportamento da criança, e laudos de psicólogos ou assistentes sociais. A lei 12.318/2010, alterada pela Lei 14.340/2022, prevê que o juiz pode determinar a realização de perícia psicológica ou biopsicossocial. O parecer do perito é uma prova técnica de grande peso.

Na prática, isso significa que você deve guardar todo e qualquer registro que mostre a interferência do outro genitor. Vale também anotar em um diário as situações de impedimento de convívio, com datas e descrições. Abaixo, uma tabela comparativa dos tipos de prova e seu valor no processo.

  • Mensagens de texto (WhatsApp, SMS, redes sociais) que demonstrem difamação ou impedimento.
  • Gravações de áudio ou vídeo (se feitas legalmente, sem invadir privacidade).
  • Testemunhas que presenciaram atos de alienação.
  • Relatórios escolares ou boletins que mostrem queda no rendimento ou mudança de comportamento.
  • Laudos psicológicos ou psiquiátricos da criança ou dos pais.

Prazos e atos que dependem de você (e os que o(a) advogado(a) cuida)

No processo de alienação parental, algumas tarefas são de responsabilidade do advogado, outras dependem da sua ação. O advogado cuida da petição inicial, protocolo, prazos processuais, audiências e recursos. Já você deve fornecer as provas, comparecer às audiências quando intimado e cumprir as determinações judiciais.

Os prazos legais variam. Por exemplo, o advogado tem prazo para contestar ou recorrer. Mas você não precisa se preocupar com esses prazos técnicos – seu advogado os acompanha. O que você precisa fazer é manter contato com ele, atualizar as provas e informar novos episódios de alienação. Na prática, isso significa que você não precisa saber o artigo de lei, mas deve estar atento(a) aos sinais e documentar tudo.

Além disso, é fundamental que você siga as orientações do seu advogado quanto à conduta durante o processo. Evite confrontos diretos com o outro genitor e não tome decisões por conta própria, como descumprir ordens judiciais de convivência. O advogado irá orientar sobre cada fase e garantir que seus direitos sejam respeitados.

  • Você deve: reunir e organizar todas as provas (fotos, mensagens, testemunhas).
  • Você deve: comparecer às audiências na data marcada.
  • Você deve: comunicar ao advogado qualquer novo incidente de alienação.
  • O advogado cuida: da petição inicial, prazos, sustentação oral, recursos.
  • O advogado cuida: de requerer perícias, medidas urgentes e acompanhar o processo.

Erros comuns que costumam atrapalhar o resultado

Muitas pessoas, ao se sentirem vítimas de alienação parental, cometem erros que enfraquecem o processo. O principal é agir por impulso, como xingar ou ameaçar o outro genitor na frente da criança, ou tentar gravar conversas sem consentimento de forma ilegal. Isso pode ser usado contra você.

Outro erro é não documentar adequadamente. Apenas relatar verbalmente não é suficiente. Também é comum a pessoa acreditar que só a palavra dela basta – mas o juiz precisa de provas objetivas. Além disso, evitar o diálogo ou tentar 'provar' a alienação por meio de confrontos diretos pode ser contraproducente. O melhor é manter a calma, seguir as orientações do advogado e não tomar atitudes que possam ser interpretadas como desrespeito à Justiça.

Na prática, isso significa que você deve agir com cautela e estratégia. Não caia na tentação de revidar as provocações. Registre tudo, mas mantenha a postura de quem busca o bem-estar da criança. O juiz observa o comportamento de ambos os genitores, e atitudes agressivas podem prejudicar sua imagem.

  • Agir com raiva na frente da criança ou do outro genitor.
  • Deixar de registrar provas de forma sistemática.
  • Fazer acusações sem fundamento ou provas concretas.
  • Descumprir ordens judiciais de convivência.
  • Não comunicar ao advogado todos os episódios.

Erros comuns relacionados ao tema

  • Acreditar que apenas testemunhas são suficientes: Testemunhas são importantes, mas provas documentais e perícias têm mais peso.
  • Descuidar do próprio comportamento: Agir de forma agressiva ou descumprir ordens judiciais pode prejudicar sua imagem perante o juiz.

O escritório Scarppati & Barboza acompanha pais e mães de Serra, Vitória, Cariacica e Vila Velha em casos de alienação parental, auxiliando na organização das provas e na condução da ação judicial em defesa do convívio com os filhos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

Perguntas frequentes

O que é alienação parental?

É a interferência na formação psicológica da criança para que ela repudie o outro genitor. A lei 12.318/2010 define e pune essa prática.

Quanto tempo leva um processo?

Não há prazo fixo. Pode levar meses ou anos, dependendo da complexidade, da necessidade de perícias e da fila do tribunal.

Preciso de advogado?

Sim. O processo envolve questões técnicas e emocionais. Um advogado especializado pode analisar as provas e representar você.

Posso gravar conversas como prova?

Gravações feitas por um dos participantes são geralmente aceitas, mas consulte seu advogado para evitar ilegalidades.

A criança será ouvida?

Sim, em muitos casos, em escuta especializada. A opinião dela é considerada, mas não é decisiva.

VS

Dra. Vaneska Scarppati

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação estratégica em Direito Trabalhista, Previdenciário e Cível, com foco em resultado prático para a pessoa que vive a situação.

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