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Como Conseguir na Justiça a Cirurgia que Corrige o Erro Médico?

Se você sofreu um erro médico e precisa de uma cirurgia para corrigir o problema, saiba que é possível buscar esse direito na Justiça. O caminho judicial serve principalmente quando o plano de saúde se recusa a cobrir o procedimento ou quando o próprio médico ou hospital responsável pelo erro não oferece a correção. Antes de pensar em processo, porém, é importante tentar resolver de forma administrativa – como entrar em contato com a ouvidoria do plano ou pedir um segundo parecer. Quando essas tentativas falham ou há urgência, a ação judicial pode ser a saída.

Por Dra. Vaneska Scarppati 9 min de leitura

Se você sofreu um erro médico e precisa de uma cirurgia para corrigir o problema, saiba que é possível buscar esse direito na Justiça. O caminho judicial serve principalmente quando o plano de saúde se recusa a cobrir o procedimento ou quando o próprio médico ou hospital responsável pelo erro não oferece a correção. Antes de pensar em processo, porém, é importante tentar resolver de forma administrativa – como entrar em contato com a ouvidoria do plano ou pedir um segundo parecer. Quando essas tentativas falham ou há urgência, a ação judicial pode ser a saída.

O passo a passo geral em conseguir na justiça a cirurgia que corrige o erro

O primeiro passo é entender o que aconteceu. Se você passou por uma cirurgia e o resultado foi pior do que o esperado – ou se houve um erro que deveria ter sido evitado –, o ideal é buscar um(a) advogado(a) com experiência em direito médico e da saúde. Esse profissional vai avaliar se a falha foi, de fato, um erro (imperícia, imprudência ou negligência) e se há chances de conseguir a correção na Justiça.

Antes de qualquer ação, tente resolver de forma administrativa. Se o erro foi cometido por um médico ou hospital particular, você pode pedir diretamente a ele que realize a cirurgia corretiva sem custos. Se o plano de saúde se recusa a cobrir o procedimento, entre em contato com a ouvidoria da operadora ou com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Muitas vezes, uma reclamação formal já resolve. O portal da ANS oferece canais de reclamação e mediação.

Se a via administrativa não funcionar, aí sim entra a ação judicial. Existem dois tipos principais de processo: (1) a ação de obrigação de fazer, em que você pede ao juiz que obrigue o plano ou o profissional a realizar a cirurgia; e (2) a ação de indenização por danos, que pode incluir o pedido da cirurgia mais uma compensação pelos danos sofridos. Muitas vezes, o advogado pede uma tutela de urgência – uma decisão rápida do juiz para que a cirurgia ocorra antes do fim do processo, principalmente se houver risco de agravamento da saúde.

Na prática, isso significa que o processo pode demorar alguns meses, mas a decisão liminar (provisória) pode sair em poucos dias se houver provas claras. É fundamental ter um laudo médico recente que descreva o erro, a necessidade da correção e os riscos de espera.

O Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90) protege você quando o erro acontece em um hospital ou com um médico contratado pelo plano de saúde. A relação é considerada de consumo, e o plano ou hospital responde pelos danos, inclusive pela obrigação de corrigir o erro.

  1. Avalie o erro com um especialista: Procure um advogado para confirmar se houve erro médico e se a cirurgia corretiva é viável judicialmente.
  2. Tente resolver sem processo: Reclame no plano de saúde, no hospital ou no médico responsável. Use o Procon se necessário.
  3. Reúna toda a documentação: Junte prontuários, exames, fotos, recibos e tudo que comprove o erro e a necessidade da correção.
  4. Entre com a ação judicial: O advogado protocola a petição, geralmente pedindo uma liminar para agilizar a cirurgia.
  5. Acompanhe o processo: Fique em contato com seu advogado e providencie documentos complementares se o juiz pedir.

Documentos e provas que costumam ser pedidos

Para entrar com uma ação pedindo a cirurgia corretiva, você precisa provar que houve um erro médico e que a correção é necessária. A falta de documentos é uma das principais causas de demora ou até de derrota no processo. Por isso, separe tudo com cuidado desde o início.

Abaixo você encontra os documentos mais comuns exigidos em ações desse tipo. Lembre-se: quanto mais completo o dossiê, mais rápido o juiz pode decidir a seu favor.

Tabela de documentos essenciais

A tabela a seguir mostra cada documento, para que ele serve e onde obtê-lo.

Prazos e atos que dependem de você (e os que o(a) advogado(a) cuida)

Muita gente tem medo de processo porque acha que terá que fazer tudo sozinha. Na verdade, o advogado assume a maior parte das tarefas técnicas: redigir a petição, calcular prazos, acompanhar audiências e recorrer se necessário. Você, como cliente, tem um papel essencial, mas mais simples: fornecer documentos, manter contato e, eventualmente, comparecer a perícias.

Confira o que você precisa fazer e o que o advogado faz:

O que você deve fazer

  • Reunir todos os documentos médicos (laudos, exames, prontuários, receitas, fotos).
  • Guardar protocolos de reclamação no plano de saúde ou Procon.
  • Anotar datas, nomes de médicos e relatos detalhados do que aconteceu.
  • Informar seu advogado sobre qualquer mudança no seu estado de saúde ou novas complicações.

O que o advogado cuida

  • Analisar o caso e verificar se há chances reais de conseguir a cirurgia.
  • Redigir a petição inicial e pedir a tutela de urgência (liminar).
  • Protocolizar a ação no tribunal competente (geralmente Justiça Estadual ou Federal, se envolver SUS).
  • Acompanhar prazos processuais e apresentar recursos se a decisão for desfavorável.
  • Negociar acordos extrajudiciais com o plano de saúde ou hospital.

Erros comuns que costumam atrapalhar o resultado

Muitas pessoas perdem tempo ou até a chance de conseguir a cirurgia porque cometem erros evitáveis. Conhecer esses deslizes ajuda a se preparar melhor e a não cair nas mesmas armadilhas.

Abaixo, uma checklist com os erros mais frequentes – fique atento:

  • Aguardar muito tempo para agir: o erro pode se agravar e os prazos de prescrição podem expirar (geralmente 5 anos para erro médico, a contar do conhecimento do dano).
  • Não documentar direito: guardar tudo desde o primeiro sintoma. Uma foto da cicatriz, um exame perdido – tudo faz diferença.
  • Tentar resolver só na base da conversa sem protocolar reclamações: a falta de prova da negativa do plano pode enfraquecer o pedido de liminar.
  • Mudar de médico sem laudo de transição: o novo médico precisa saber o que houve. Peça um relatório de transferência.
  • Aceitar acordo verbal sem garantia de que a cirurgia será feita: se o plano prometer cobrir, exija por escrito.
  • Contratar advogado sem experiência em direito médico: cada área tem particularidades; um especialista saberá o melhor caminho.

Erros comuns relacionados ao tema

  • Não agir rapidamente: Deixar passar meses ou anos pode prejudicar a produção de provas e até fazer o direito prescrever. Em erro médico, o prazo para entrar com ação é geralmente de 5 anos a partir do conhecimento do dano (art. 27 CDC e art. 205 Código Civil). Se houver urgência, a demora pode agravar sua saúde.
  • Não documentar a negativa do plano: Sem um protocolo ou carta de recusa, o juiz pode não acreditar que o plano se negou a cobrir a cirurgia. Guarde e-mails, protocolos telefônicos e qualquer comunicação formal.
  • Trocar de advogado no meio do processo sem motivo grave: Isso pode atrasar o andamento e gerar custos extras. Escolha bem desde o início.

Perguntas frequentes

Preciso de advogado para pedir a cirurgia corretiva?

Sim, na maioria dos casos. A ação judicial exige petição formal e conhecimento técnico. Um advogado especializado aumenta as chances de sucesso, especialmente para pedir uma liminar urgente.

Quanto tempo demora um processo desses?

Varia muito. A liminar (decisão provisória) pode sair em dias ou semanas se as provas forem fortes. O processo completo pode levar de 6 meses a 2 anos, dependendo da complexidade e da região.

O que fazer se o plano de saúde negar a cirurgia corretiva?

Primeiro, peça a recusa por escrito – é obrigatório. Depois, reclame na ANS e procure um advogado para ingressar com ação. A recusa injustificada pode configurar abuso.

Posso pedir indenização junto com a cirurgia?

Sim. Além da cirurgia corretiva, você pode pedir danos materiais (gastos extras) e morais (sofrimento). O juiz analisará cada pedido separadamente.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

VS

Dra. Vaneska Scarppati

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação estratégica em Direito Trabalhista, Previdenciário e Cível, com foco em resultado prático para a pessoa que vive a situação.

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