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Erro em Cirurgia Vascular e Trombose no Pós-Operatório: Direitos e Próximos Passos

Se você ou um familiar passou por uma cirurgia vascular e desenvolveu trombose na recuperação, é natural se perguntar se houve erro médico. A trombose pode ser uma complicação esperada, mas também pode indicar falha na profilaxia ou no cuidado pós-operatório. Entender a diferença é o primeiro passo para decidir o que fazer. Este conteúdo explica de forma simples os critérios para identificar um possível erro, os riscos mais comuns e como agir para proteger seus direitos, sempre sem prometer resultados — cada caso é único.

Por Dra. Ana Paula Barboza 8 min de leitura

Se você ou um familiar passou por uma cirurgia vascular e desenvolveu trombose na recuperação, é natural se perguntar se houve erro médico. A trombose pode ser uma complicação esperada, mas também pode indicar falha na profilaxia ou no cuidado pós-operatório. Entender a diferença é o primeiro passo para decidir o que fazer. Este conteúdo explica de forma simples os critérios para identificar um possível erro, os riscos mais comuns e como agir para proteger seus direitos, sempre sem prometer resultados — cada caso é único.

O que muda na prática quando se trata de erro em cirurgia vascular e trombose no pós-operatório

Na prática, a grande diferença está na conduta da equipe médica. A trombose venosa profunda (TVP) é um risco conhecido em cirurgias, especialmente nas vasculares. Por isso, existem protocolos rígidos de prevenção. O Protocolo de Profilaxia de Trombose Venosa Profunda e Embolia Pulmonar para Pacientes Cirúrgicos, adotado em hospitais universitários, recomenda que a avaliação de risco seja refeita após o procedimento, considerando mudanças no tempo cirúrgico e novos fatores de risco que possam surgir. Isso significa que o cuidado não termina na sala de cirurgia.

Se a equipe não seguiu esses protocolos — por exemplo, não prescreveu anticoagulantes, não estimulou a deambulação precoce ou não monitorou sinais de trombose —, pode-se falar em erro. Já se todas as medidas foram tomadas e mesmo assim a trombose ocorreu, ela é considerada uma complicação inerente ao procedimento.

Outro ponto prático: o plano de saúde deve cobrir a profilaxia e o tratamento. A ANS, no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, inclui a estratificação pré-operatória de risco para cirurgia vascular arterial em pacientes com fatores de risco clínicos. Se o plano se recusar a cobrir, isso pode configurar negativa indevida.

Na prática, isso significa que você precisa verificar se o hospital e o médico seguiram as diretrizes de prevenção. Peça o prontuário e os registros de enfermagem. Eles mostrarão se houve prescrição de heparina, uso de meias elásticas, e orientações de movimentação.

  • Verifique se o hospital tem protocolo de profilaxia de trombose.
  • Confira se você recebeu anticoagulantes no pós-operatório imediato.
  • Veja se houve orientação para levantar e andar cedo (deambulação precoce).
  • Anote os sintomas que surgiram (dor, inchaço, vermelhidão na perna).
  • Registre se a equipe foi informada e como reagiu.
  1. Obter o prontuário médico: Você tem direito a cópia de todo o prontuário, incluindo evoluções, prescrições e exames. Use a Lei de Acesso à Informação se necessário.
  2. Reunir exames de imagem: Ultrassom com Doppler, angiotomografia e exames de sangue (D-dímero) são essenciais para comprovar a trombose.
  3. Identificar a fase do erro: O erro pode estar na cirurgia (lesão vascular), na profilaxia (omissão) ou no diagnóstico tardio da trombose.

Critérios para decidir sobre erro em cirurgia vascular e trombose no pós-operatório com segurança

Para decidir se houve erro, é preciso analisar três pontos: conduta, nexo causal e dano. A conduta esperada é a que um médico prudente teria na mesma situação. Se o médico agiu de acordo com a literatura e os protocolos, dificilmente será considerado erro. Mas se ignorou sinais de alerta ou não tomou medidas preventivas, pode ser responsabilizado.

Dados da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV) mostram que mais de 489 mil brasileiros foram internados para tratamento de trombose venosa entre 2012 e 2023. Isso reforça que a trombose é comum, mas também que a prevenção é fundamental. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem evitar sequelas graves, como a embolia pulmonar.

Outro critério importante é a obrigação do hospital de manter uma equipe preparada. O hospital responde objetivamente por falhas de seus funcionários. Se a enfermagem não aplicou a medicação prescrita, o hospital pode ser responsabilizado.

Na prática, isso significa que você deve reunir provas documentais e, se possível, um parecer de outro médico (consulta com angiologista ou cirurgião vascular). Esse especialista pode opinar se a conduta foi adequada.

Tabela comparativa: complicação esperada vs. erro

A tabela abaixo ajuda a visualizar as diferenças entre uma complicação aceitável e um erro médico passível de indenização.

Riscos e erros comuns em erro em cirurgia vascular e trombose no pós-operatório

O erro mais comum é achar que toda trombose no pós-operatório dá direito a indenização. Não é verdade. Muitas vezes, o paciente não sabe que o risco foi explicado no termo de consentimento. Por isso, é importante ler esse documento e verificar se a trombose estava listada como possível complicação.

Outro risco é esperar muito tempo para agir. O prazo para entrar com ação contra médico ou hospital é de 5 anos (prescrição), mas pode ser menor em casos de responsabilidade contratual. Além disso, provas se perdem com o tempo. Quanto antes você reunir documentos, melhor.

Também é comum acreditar em promessas de resultados rápidos. Cuidado com quem garante vitória na Justiça. Nenhum advogado sério pode prometer isso. O que podemos fazer é analisar o caso e explicar as chances, com base na lei e na jurisprudência.

Na prática, isso significa que você deve: (1) guardar todos os documentos desde o início; (2) não assinar nada sem entender; (3) consultar um advogado de confiança antes de tomar decisões.

  • Não ignore os sintomas: inchaço, dor e calor na perna podem ser trombose.
  • Não aceite explicações vagas do hospital sem pedir o prontuário.
  • Não poste detalhes do caso em redes sociais sem orientação jurídica.
  • Não confie em prazos informais: a prescrição corre.
  • Não contrate advogado que prometa indenização certa.

Próximos passos práticos para resolver erro em cirurgia vascular e trombose no pós-operatório

O primeiro passo é cuidar da sua saúde. Se você ainda está com sintomas, procure um médico imediatamente. A trombose não tratada pode levar à embolia pulmonar, que é grave. Depois de estabilizado, comece a documentação.

Entre em contato com o hospital e solicite cópia integral do prontuário. Você tem esse direito garantido pelo Código de Ética Médica e pela Lei 13.787/2018 (prontuário eletrônico). Se negarem, faça uma reclamação formal no serviço de ouvidoria ou no Conselho Regional de Medicina (CRM).

Se houver plano de saúde, verifique se ele cobriu a profilaxia e o tratamento. A ANS exige cobertura para procedimentos listados no Rol. Se houve negativa, guarde o protocolo e procure o Procon ou a ANS.

A via extrajudicial é sempre preferível. Tente um acordo com o hospital ou convênio. Muitas vezes eles oferecem suporte financeiro para custear tratamentos futuros ou indenizam danos materiais. Se não houver acordo, aí sim avalie a ação judicial.

Na prática, isso significa que você não precisa correr para o tribunal. A maioria dos casos se resolve com diálogo e provas bem organizadas. Mas se a via amigável falhar, um advogado especializado em direito médico poderá ingressar com ação.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

  • Solicite o prontuário médico por escrito e guarde o protocolo.
  • Peça exames de imagem (Doppler) se ainda não tiver feito.
  • Registre tudo: datas, nomes de médicos, sintomas.
  • Entre em contato com o CRM do seu estado para reclamação ética.
  • Consulte um advogado com experiência em responsabilidade civil médica.

Erros comuns relacionados ao tema

  • Achar que só o médico é responsável: O hospital também pode ser responsabilizado se a equipe de enfermagem falhou na profilaxia ou no monitoramento.
  • Ignorar o termo de consentimento: Muitos pacientes não leem o termo. Se a trombose estava listada como risco, isso pode enfraquecer o pedido de indenização.
  • Demorar para buscar ajuda jurídica: Com o tempo, provas se perdem e testemunhas esquecem. Quanto mais cedo, melhor.
AP

Dra. Ana Paula Barboza

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação em Direito de Família, Cível e Consumidor — conduz cada processo com sensibilidade e estratégia.

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