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Cível e Consumidor

Juros Abusivos em Empréstimo: O que Você Precisa Saber Antes de Decidir?

Se você contratou um empréstimo e percebeu que os juros cobrados são muito altos, pode ser possível revisar o contrato. A lei protege o consumidor contra abusos em contratos bancários. Veja o que fazer.

Por Dra. Vaneska Scarppati 10 min de leitura

Se você contratou um empréstimo e percebeu que os juros cobrados são muito altos, pode ser possível revisar o contrato. A lei protege o consumidor contra abusos em contratos bancários. Veja o que fazer.

O que o CDC garante diante de juros abusivos em empréstimo

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) é a principal ferramenta de proteção contra juros abusivos. Instituído pela Lei nº 8.078/1990, ele estabelece que todas as cláusulas contratuais que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou sejam incompatíveis com a boa-fé são nulas de pleno direito (artigos 51 e 53). Na prática, isso significa que juros excessivamente altos, capitalização de juros em períodos inferiores a um ano (anatocismo) sem previsão legal, ou a cobrança de tarifas não previstas podem ser questionados.

Para saber se os juros são abusivos, compare a taxa cobrada com a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central. Se a taxa do seu contrato for muito superior, há indícios de abuso. Além disso, o fornecedor (banco ou instituição financeira) tem o dever de informar claramente o Custo Efetivo Total (CET) do empréstimo, incluindo todos os encargos. Se isso não foi feito, o contrato pode ser revisto.

No Espírito Santo, especialmente na Serra e região metropolitana de Vitória, muitas pessoas têm contratado empréstimos consignados sem verificar as taxas. Um caso comum é o desconto de parcelas que superam 30% do benefício do INSS, o que é ilegal. O CDC também protege aposentados e pensionistas nessa situação.

  • Verifique a taxa de juros contratada com a tabela do Banco Central.
  • Confira se todas as tarifas foram informadas no Custo Efetivo Total (CET).
  • Veja se há cláusula de capitalização de juros (juros sobre juros) em período inferior a um ano.
  • Consulte o extrato no Meu INSS ou no Sou Gov.br para acompanhar descontos.

Como identificar um juro abusivo?

O primeiro passo é acessar o site do Banco Central e consultar a taxa média de juros para a modalidade do seu empréstimo. Se a taxa cobrada for maior que o dobro da média, há forte indício de abuso. Também é importante verificar se o contrato prevê juros capitalizados mensalmente, o que é proibido em contratos normais, salvo exceções.

Outro sinal de abuso é a cobrança de tarifas não previstas ou valores que não foram claramente explicados no momento da contratação. O CDC exige que todas as informações sejam prestadas de forma clara e ostensiva.

Como tentar resolver primeiro com o fornecedor (e por que isso importa)

Antes de pensar em processo, tente resolver diretamente com o banco ou instituição financeira. Muitas vezes, a própria instituição tem canais de negociação e pode renegociar o contrato, reduzir juros ou até mesmo cancelar cobranças indevidas. Isso é mais rápido e evita desgastes emocionais e financeiros.

Para isso, reúna toda a documentação: contrato, comprovantes de pagamento, extratos e o cálculo do valor que você considera abusivo. Entre em contato pelo SAC ou pela ouvidoria do banco. Anote o protocolo e o nome do atendente. Se a resposta for negativa ou demorada, você pode registrar uma reclamação no Banco Central ou no Procon.

Na Serra e em Vitória, o Procon Estadual (Procon-ES) é muito ativo. Eles realizam audiências de conciliação entre consumidores e fornecedores. Se o banco não comparecer ou não aceitar a proposta, o Procon pode multar a instituição. Esse caminho é gratuito e pode resolver sem precisar de advogado, embora em casos complexos o acompanhamento de um profissional seja recomendado.

  • Reúna todos os documentos: contrato, comprovantes, extratos.
  • Entre em contato com o SAC do banco e registre a reclamação.
  • Se não resolver, acione a ouvidoria do banco.
  • Registre reclamação no Procon do seu município ou no Portal do Consumidor.
  • Participe da audiência de conciliação, se for o caso.

Quando o Procon ajuda e quando vale ação no Juizado

O Procon é um órgão administrativo que media conflitos de consumo. Ele não julga, mas tenta um acordo entre as partes. Se o banco aceitar, você sai com um termo assinado e o problema resolvido. Se não houver acordo, o Procon pode aplicar multa ao fornecedor, mas não pode obrigá-lo a reduzir juros. Nesse caso, a solução judicial é necessária.

A ação no Juizado Especial Cível (JEC) é indicada para causas de até 40 salários mínimos (cerca de R$ 55 mil em 2025). O JEC não exige advogado para causas até 20 salários mínimos, mas para valores maiores ou questões complexas, é melhor ter um advogado. No entanto, lembre-se: o processo pode demorar meses ou anos, dependendo da vara e da complexidade.

No Espírito Santo, as Varas Cíveis e os Juizados Especiais têm grande volume de casos. Em Vitória, o Fórum Cível fica na Enseada do Suá. Antes de ingressar com ação, esgote as tentativas administrativas e reúna provas sólidas. Uma ação bem instruída tem mais chances de êxito.

  • Tente o Procon primeiro – é gratuito e pode resolver rápido.
  • Se o Procon não funcionar, avalie o Juizado Especial Cível.
  • No JEC, você pode ir sem advogado até 20 salários mínimos.
  • Causas acima de 20 salários mínimos exigem advogado e vão para a Justiça comum.
  • Consulte um advogado para saber qual caminho é melhor para o seu caso.

Diferenças práticas: Procon vs. Juizado

O Procon não cobra taxas, não precisa de advogado e o prazo para audiência costuma ser de algumas semanas. O Juizado também não tem custas iniciais (para causas até determinado valor), mas pode ser mais demorado e exigir mais formalidades.

Se o valor discutido for alto ou houver muitos contratos envolvidos, a Justiça comum pode ser mais adequada. Um advogado saberá orientar.

Prazos para reclamar e provas que ajudam o seu lado

O direito de reclamar sobre juros abusivos não dura para sempre. Em contratos de empréstimo, o prazo para pedir a revisão é de 5 anos, contados a partir do vencimento de cada prestação ou do conhecimento do abuso. Esse prazo está previsto no art. 27 do CDC: a pretensão à reparação pelos danos causados prescreve em cinco anos. Já para anular cláusulas contratuais abusivas, o prazo é de 4 anos, conforme o Código Civil (art. 178).

Se você já pagou várias parcelas com juros abusivos, pode pedir a devolução em dobro do que pagou a mais, com base no art. 42 do CDC, desde que comprove má-fé do credor. Mas isso também tem prazo: 5 anos.

As provas mais importantes são: o contrato assinado (ou o número do contrato), todos os comprovantes de pagamento, extratos bancários demonstrando os descontos, e uma planilha simples comparando a taxa cobrada com a taxa média do mercado. Se possível, guarde também print do site do banco com as condições do empréstimo.

  • Contrato original ou cópia digital com todas as cláusulas.
  • Comprovantes de pagamento (carnês, extratos, comprovantes de depósito).
  • Extrato detalhado do banco mostrando os juros cobrados.
  • Planilha de cálculo comparando a taxa cobrada com a taxa média do Banco Central.
  • Registro de reclamações feitas ao SAC, ouvidoria ou Procon (protocolos).

Erros comuns relacionados ao tema

ItemO que significa
Achar que juros altos são sempre legaisMuitos consumidores pensam que o banco pode cobrar qualquer taxa. Na verdade, a taxa deve ser compatível com a média do mercado e não pode ser abusiva.
Não guardar documentosSem contrato e comprovantes, fica difícil provar o abuso. Guarde tudo, inclusive prints de telas.
Deixar para depois e perder o prazoO prazo para reclamar é de 5 anos. Se você esperar muito, pode perder o direito.
Tentar resolver apenas por telefone sem registrarLigações não geram prova. Sempre registre reclamações por escrito (e-mail, protocolo) para ter evidências.

Perguntas frequentes

O que caracteriza juros abusivos?

Juros abusivos são aqueles que ultrapassam a média do mercado sem justificativa, ou que resultam em prestações desproporcionais ao valor emprestado. A taxa deve ser compatível com a praticada pelo mercado para operações semelhantes.

Posso revisar um contrato de empréstimo consignado?

Sim. O consignado é um empréstimo comum, com desconto em folha. Se os juros forem abusivos, você pode pedir revisão. Use o Meu INSS ou Sou Gov.br para conferir as taxas.

Preciso contratar um advogado para revisão de juros?

Não é obrigatório, mas é recomendado se o valor for alto ou se o banco recusar a negociação. O advogado pode avaliar a viabilidade e conduzir a ação judicial, se necessário.

Quanto custa entrar com uma ação no Juizado Especial?

Não há custas iniciais para causas de até 20 salários mínimos. Acima disso, há taxas. Além disso, se você perder, pode ter que pagar honorários do advogado da outra parte (apenas em causas acima de 20 salários mínimos).

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

VS

Dra. Vaneska Scarppati

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação estratégica em Direito Trabalhista, Previdenciário e Cível, com foco em resultado prático para a pessoa que vive a situação.

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