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Cível e Consumidor

Mensalidade de Faculdade Reajustada de Forma Abusiva: O que Fazer?

A mensalidade da faculdade subiu muito de um ano para o outro e você suspeita que o aumento foi abusivo? Saiba que o Código de Defesa do Consumidor e a Lei 9.870/1999 protegem os alunos contra reajustes sem justificativa ou base legal. O primeiro passo é entender se o aumento respeitou as regras – e, se não, você pode contestar e negociar.

Por Dra. Ana Paula Barboza 8 min de leitura

A mensalidade da faculdade subiu muito de um ano para o outro e você suspeita que o aumento foi abusivo? Saiba que o Código de Defesa do Consumidor e a Lei 9.870/1999 protegem os alunos contra reajustes sem justificativa ou base legal. O primeiro passo é entender se o aumento respeitou as regras – e, se não, você pode contestar e negociar.

O que muda na prática quando se trata de mensalidade de faculdade reajustada de forma abusiva

Na prática, um reajuste abusivo significa que você pode estar pagando mais do que o justo e legalmente permitido. A instituição não pode, por exemplo, aumentar a mensalidade com base apenas em sua vontade ou sem apresentar uma planilha de custos clara.

Segundo a Lei 9.870/1999, o valor das mensalidades deve ser contratado no ato da matrícula e só pode ser reajustado com base em critérios como aumento de custos operacionais ou inflação medida por índices oficiais. Se o aumento for muito superior a esses parâmetros, pode ser considerado abusivo.

Na prática, isso significa que você tem o direito de pedir esclarecimentos e contestar o valor, sem medo de represálias acadêmicas, como a negativa de matrícula ou a retenção de documentos. O Ministério da Educação reforça que a instituição não pode impedir o acesso aos direitos acadêmicos por causa de contestação de mensalidade.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

Critérios para decidir sobre mensalidade de faculdade reajustada de forma abusiva com segurança

Para saber se o reajuste é ou não abusivo, é preciso comparar o aumento com alguns critérios objetivos. A lei não define um percentual fixo de reajuste, mas exige que ele seja justificado com base em custos reais.

Você pode pedir à faculdade a planilha de custos que motivou o aumento. Se a instituição se recusar a mostrar, isso já é um indício de abuso. A tabela abaixo compara situações comuns:

Detalhe

SituaçãoCritérioExemplo
Reajuste válidoBaseado em índice oficial (ex: IPCA), com divulgação prévia e contratualAumento de 4,5% com base no IPCA do período, comunicado 60 dias antes da matrícula
Reajuste inválidoAumento sem justificativa ou acima de índices de mercadoAumento de 20% sem apresentar planilha de custos
Reajuste válidoConforme contrato assinado na matrícula, com valor fixo para o anoSemestralidade com valor estipulado em contrato para todo o curso
Reajuste inválidoReajuste no meio do semestre sem aviso prévioAumento em junho para o semestre que já começou
Reajuste inválidoComunicação feita em cima da hora ou não comunicadaBoleto com valor maior sem qualquer aviso anterior

Riscos e erros comuns em mensalidade de faculdade reajustada de forma abusiva

Um erro comum é acreditar que o reajuste é sempre válido porque 'a faculdade tem liberdade para cobrar o que quiser'. Isso não é verdade – o Código de Defesa do Consumidor e a Lei 9.870/1999 protegem o aluno contra práticas abusivas.

Outro risco é demorar para agir: se você pagar por meses sem reclamar, pode ser mais difícil obter a devolução ou redução. A seguir, uma lista de erros que devem ser evitados:

  • Não guardar o contrato de matrícula e os comprovantes de mensalidades anteriores.
  • Aceitar o aumento sem questionar, por medo de perder a vaga ou sofrer represálias.
  • Pagar o valor abusivo por meses, dificultando a recuperação dos valores pagos a mais.
  • Deixar de reunir provas, como e-mails da faculdade comunicando o reajuste e boletos.
  • Achar que só um advogado pode resolver – primeiro tente o Procon ou a ouvidoria da instituição.
  • Perder prazos: em geral, a contestação deve ser feita antes do próximo período letivo.

Próximos passos práticos para resolver mensalidade de faculdade reajustada de forma abusiva

Resolver um reajuste abusivo é mais simples do que parece. O ideal é começar pelas vias administrativas, que são gratuitas e rápidas.

Lembre-se: a faculdade não pode te punir por contestar o aumento. Você tem direito a continuar estudando enquanto a situação é resolvida. Siga os passos abaixo:

  1. Reúna os documentos: Contrato de matrícula, comprovantes de mensalidades dos últimos anos, e a comunicação do reajuste (e-mail, carta, boleto).
  2. Compare com a lei: Veja se o percentual de aumento está dentro de índices como IPCA ou INPC do período – se estiver muito acima, é indício de abuso.
  3. Procure a faculdade: Envie uma reclamação formal por escrito (e-mail ou protocolo) pedindo a planilha de custos e a revisão do valor.
  4. Registre no Procon: Se não houver solução, faça uma reclamação online ou presencial no Procon – é gratuito e pode resultar em mediação.
  5. Denuncie ao MEC: Se a faculdade não for transparente, registre denúncia no site do MEC.
  6. Consulte um advogado: Se todas as tentativas falharem, um profissional pode avaliar a necessidade de ação judicial para revisão do contrato ou devolução de valores.

Erros comuns relacionados ao tema

  • Achar que não tem direito: Muitos alunos acreditam que a faculdade pode aumentar o valor livremente, mas o CDC e a Lei 9.870/1999 protegem o consumidor contra reajustes abusivos.
  • Não documentar nada: Guardar contratos, e-mails e boletos é essencial para comprovar o abuso. Sem provas, fica difícil contestar.

Perguntas frequentes

O que caracteriza um reajuste abusivo?

Aumento sem justificativa, baseado apenas na vontade da instituição, ou percentual muito acima dos índices de inflação do período, sem apresentação de planilha de custos.

Posso deixar de pagar o valor abusivo?

Não é recomendado, pois pode gerar inadimplência e restrições acadêmicas. O melhor é pagar o valor antigo e depositar a diferença em juízo, com auxílio de advogado.

Procon pode obrigar a faculdade a reduzir a mensalidade?

Sim, o Procon pode fiscalizar e aplicar multas, mas não fixa valores. Pode mediar um acordo entre você e a instituição.

Quanto tempo tenho para contestar?

O ideal é agir antes do início do período letivo seguinte, mas geralmente o prazo para pedir devolução de valores pagos a mais é de 3 anos.

Preciso de advogado para reclamar no Procon?

Não, o Procon atende qualquer consumidor sem necessidade de advogado. Apenas se o caso for para a Justiça é recomendável contratar um profissional.

AP

Dra. Ana Paula Barboza

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação em Direito de Família, Cível e Consumidor — conduz cada processo com sensibilidade e estratégia.

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