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Cível e Consumidor

Prescrição de Dívida: O que Diz a Lei e Como Costuma se Aplicar?

Você está sendo cobrado por uma dívida antiga? O banco ainda pode exigir o pagamento? Depende. A prescrição de dívida é o prazo que a lei estabelece para o credor cobrar judicialmente. Depois desse prazo, a dívida existe, mas o banco perde o direito de cobrar na Justiça. Entender quando a dívida prescreve ajuda a saber se você ainda pode ser cobrado judicialmente ou não.

Por Dra. Vaneska Scarppati 10 min de leitura

Você está sendo cobrado por uma dívida antiga? O banco ainda pode exigir o pagamento? Depende. A prescrição de dívida é o prazo que a lei estabelece para o credor cobrar judicialmente. Depois desse prazo, a dívida existe, mas o banco perde o direito de cobrar na Justiça. Entender quando a dívida prescreve ajuda a saber se você ainda pode ser cobrado judicialmente ou não.

O que o CDC garante diante de prescrição de dívida

O Código de Defesa do Consumidor (CDC) protege você em várias situações, inclusive nas cobranças de dívidas. A prescrição é um direito seu que pode ser usado contra o banco. Segundo o CDC, o consumidor tem direito à informação clara sobre o valor e a origem da dívida, e também a não ser cobrado de forma abusiva ou constrangedora.

Quando a dívida está prescrita, o banco não pode mais ajuizar uma ação de cobrança. Se já entrou com ação, você pode usar a prescrição como defesa. O CDC também garante que, após o prazo de prescrição, seu nome seja retirado dos cadastros de inadimplentes, como SPC e Serasa, se a dívida não tiver sido renovada ou reconhecida.

Na prática, isso significa que, se a dívida tem mais de 5 anos sem pagamento e sem nenhuma cobrança judicial, você pode exigir a baixa do registro. O banco não pode mais te ameaçar de protesto ou de ação judicial. Mas lembre-se: a prescrição não apaga a dívida, apenas tira o poder de cobrança judicial. Moralmente, você ainda deve, mas a lei não obriga a pagar.

Para mais detalhes sobre os direitos do consumidor em relação a cobranças, consulte o site do Código de Defesa do Consumidor.

Como tentar resolver primeiro com o fornecedor (e por que isso importa)

Antes de qualquer briga judicial, tente conversar com o banco. Muitas vezes, a dívida está prescrita, mas o banco ainda tem o registro no SPC/Serasa. Você pode ligar ou ir até a agência e pedir a retirada do seu nome, explicando que o prazo de prescrição já passou.

Por que isso importa? Porque resolver direto é mais rápido e evita desgaste. Se o banco concordar, você não precisará de advogado nem de ação. Guarde todos os protocolos de atendimento, números de reclamação e cópias de documentos enviados. Isso serve como prova de que você tentou resolver.

Se o banco se recusar a retirar seu nome mesmo com a dívida prescrita, você pode registrar uma reclamação na ouvidoria do banco e depois no Banco Central. A ouvidoria é obrigada a responder. Caso não resolva, aí sim vale procurar o Procon ou um advogado.

Na prática, isso significa que você pode resolver sem sair de casa, economizando tempo e dinheiro. A maioria dos bancos tem canais digitais de reclamação. Vale a pena tentar antes de pensar em processo.

  1. Como proceder com o banco: Ligue para a central de relacionamento e peça a retirada do seu nome com base na prescrição.
  2. Documente tudo: Anote números de protocolo, datas, nomes dos atendentes.
  3. Escale para a ouvidoria: Se não resolver, registre reclamação na ouvidoria do banco.
  4. Procon ou Banco Central: Em último caso, registre queixa no Procon ou no Banco Central.

Quando o Procon ajuda e quando vale ação no Juizado

O Procon é um órgão de defesa do consumidor que pode intermediar conflitos entre você e o banco. Se o banco se recusar a retirar seu nome ou continuar cobrando uma dívida prescrita, o Procon pode notificar a instituição e buscar um acordo. É gratuito e não precisa de advogado.

No entanto, o Procon não tem poder de decidir que a dívida prescreveu. Ele apenas tenta conciliar. Se o banco insistir, você pode precisar de uma ação judicial. Aí entra o Juizado Especial Cível (JEC), que é mais rápido e também não exige advogado para causas de até 20 salários mínimos.

A ação no Juizado pode pedir o reconhecimento da prescrição e a retirada do seu nome dos cadastros negativos, além de indenização por danos morais se a cobrança foi abusiva. Mas atenção: danos morais não são automáticos. Você precisa provar que sofreu constrangimento ou prejuízo.

Na prática, isso significa que começar pelo Procon é uma boa estratégia, mas se o banco não ceder, o Juizado é o caminho mais simples. Cada caso tem suas particularidades; vale consultar um advogado para saber qual a melhor opção para você.

Prazos para reclamar e provas que ajudam o seu lado

O prazo de prescrição mais comum para dívidas com bancos (como cartão de crédito, empréstimo pessoal, financiamento) é de 5 anos, contados a partir do vencimento da primeira parcela não paga. Esse prazo está previsto no Código Civil, artigo 206, e na jurisprudência do STJ.

Existem outros prazos: cheque prescreve em 2 anos, duplicata em 3 anos, e dívidas fiscais em 5 anos. Mas, para a maioria das dívidas bancárias de consumo, o prazo é de 5 anos. Importante: a prescrição pode ser interrompida se o banco entrar com ação ou se você reconhecer a dívida por escrito.

As provas que ajudam são: contrato original, comprovantes de pagamento, extrato bancário, carta de cobrança, e-mails, mensagens, qualquer documento que mostre a data do débito e a falta de pagamento. Guarde tudo. Se você não tiver mais os papéis, pode pedir ao banco o histórico.

Na prática, isso significa que, se você tem uma dívida de 2018 sem ação judicial, ela provavelmente prescreveu em 2023. Reúna os documentos e, se for cobrado, apresente a prescrição como defesa.

Veja abaixo uma tabela comparativa com prazos típicos:

Tabela de prazos de prescrição para dívidas comuns

O que diz a lei sobre prescrição de dívida e como costuma ser aplicada

A prescrição está prevista no Código Civil (CC), especialmente nos artigos 205 e 206. O artigo 205 estabelece o prazo geral de 10 anos, mas o artigo 206 lista prazos específicos, como 5 anos para dívidas de consumidor. O STJ consolidou entendimento de que o prazo para cobrança de dívida bancária é de 5 anos.

Além disso, a lei de execução fiscal (Código Civil) trata da prescrição intercorrente, mas não se aplica a bancos privados. Para dívidas com a Fazenda Pública, o prazo é diferente. O importante é saber que a prescrição não ocorre automaticamente: se o banco te processar, você tem que alegar a prescrição na contestação. O juiz não pode reconhecer de ofício.

Na prática, isso significa que, se você for processado por uma dívida antiga, precisa informar o advogado ou, se for no Juizado, apresentar a defesa por escrito. Se não fizer isso, o juiz pode condená-lo mesmo com dívida prescrita. Por isso, fique atento às citações judiciais.

Para mais informações legais, consulte o Código Civil e a jurisprudência do STJ.

Erros comuns relacionados ao tema

  • Achar que a dívida some com a prescrição: A dívida prescrita não desaparece. Ela continua existindo, mas o banco perde o direito de cobrar judicialmente. Moralmente, você ainda deve, mas a lei não obriga o pagamento.
  • Ignorar citações judiciais por achar que a dívida prescreveu: Mesmo que a dívida esteja prescrita, se você for citado em uma ação, precisa comparecer e alegar a prescrição. Se não fizer, pode ser condenado. Não ignore a Justiça.
  • Acreditar que a dívida não pode mais ser cobrada de nenhuma forma: O banco ainda pode te ligar, mandar carta ou e-mail cobrando. A prescrição só impede a cobrança judicial. Cobranças extrajudiciais são permitidas, mas não podem ser abusivas.

Perguntas frequentes

Dívida prescrita pode ser cobrada?

Sim, o banco pode te ligar ou mandar carta, mas não pode processar. Se insistir com ameaças, isso pode ser considerado abusivo.

O nome sai do SPC automaticamente?

Não. Você precisa pedir a retirada. Após 5 anos da dívida, o banco não pode mais manter o registro, mas se não pedir, pode ficar. Negocie ou reclame.

Pagar uma dívida prescrita faz o nome sair?

Depende. Se pagar, o banco deve dar quitação e baixar o registro. Mas você não é obrigado a pagar. Pode negociar um valor menor.

A prescrição vale para todos os bancos?

Sim, a mesma regra do Código Civil se aplica a todos os bancos e financeiras.

Preciso de advogado para alegar prescrição?

Se for processado, é altamente recomendável. No Juizado, você pode ir sem advogado se o valor for pequeno, mas é melhor ter ajuda.

VS

Dra. Vaneska Scarppati

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação estratégica em Direito Trabalhista, Previdenciário e Cível, com foco em resultado prático para a pessoa que vive a situação.

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