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Atropelamento em Faixa de Pedestre: Direitos da Vítima e Próximos Passos

Ser atropelado na faixa de pedestre é uma situação que além do susto e da dor, ganga dúvidas sobre o que fazer e quais direitos você tem. A faixa de pedestre é local prioritário — o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) garante que o pedestre tem preferência, e o condutor que não respeita pode ser responsabilizado civil e criminalmente. Neste conteúdo, você vai entender os passos práticos para registrar a ocorrência, buscar atendimento médico, reunir provas e pleitear indenizações por danos materiais, morais e estéticos, sempre com linguagem simples e direta.

Por Dra. Ana Paula Barboza 8 min de leitura

Ser atropelado na faixa de pedestre é uma situação que além do susto e da dor, ganga dúvidas sobre o que fazer e quais direitos você tem. A faixa de pedestre é local prioritário — o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) garante que o pedestre tem preferência, e o condutor que não respeita pode ser responsabilizado civil e criminalmente. Neste conteúdo, você vai entender os passos práticos para registrar a ocorrência, buscar atendimento médico, reunir provas e pleitear indenizações por danos materiais, morais e estéticos, sempre com linguagem simples e direta.

O que muda na prática quando se trata de atropelamento em faixa de pedestre

Quando o atropelamento ocorre dentro da faixa de pedestre, a situação jurídica é bem diferente de um atropelamento fora dela. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que os pedestres têm prioridade sobre os veículos, especialmente quando estão atravessando na faixa. O artigo 70 do CTB determina que o condutor deve parar para o pedestre que já iniciou a travessia. Não respeitar isso é infração gravíssima, com multa e suspensão do direito de dirigir.

Na prática, isso significa que a culpa do motorista é quase sempre presumida. Ou seja, você não precisa provar que ele foi negligente — a lei já considera que ele deveria ter parado. Claro, há exceções, como quando o pedestre sai correndo de repente ou atravessa fora da faixa, mas dentro da faixa a presunção é forte.

Outro ponto prático: a responsabilidade pode ser tanto civil (indenização) quanto criminal (crime de lesão corporal culposa ou homicídio culposo no trânsito). O boletim de ocorrência feito pela Polícia Militar ou Rodoviária Federal é fundamental para registrar os fatos e iniciar as investigações.

  • Chame a polícia e o Samu imediatamente; não saia do local sem registrar.
  • Anote placa, modelo, nome e contato do motorista e de testemunhas.
  • Se possível, tire fotos e vídeos do local, da faixa, dos ferimentos e do veículo.
  • Peça cópia do boletim de ocorrência (BO) e do laudo de exame de corpo de delito (se houver).

Critérios para decidir sobre atropelamento em faixa de pedestre com segurança

Para decidir se você tem direito a uma indenização, é preciso considerar alguns critérios objetivos. O primeiro é a existência de danos: você sofreu alguma lesão? Teve gastos com hospital, remédios, fisioterapia? Perdeu dias de trabalho? Esses são os chamados danos materiais, que podem ser reembolsados.

Outro critério é o dano moral: o sofrimento, a dor, o trauma vivido. Não precisa comprovar com notas, mas a gravidade da lesão e as circunstâncias do acidente influenciam. O STJ entende que atropelamento em faixa gera dano moral presumido (in re ipsa), ou seja, é tão evidente que dispensa prova.

Há também o dano estético, quando há cicatrizes, deformidades ou marcas permanentes. Esse dano é independente e pode ser somado aos outros. A Resolução CONTRAN nº 752/2018 reforça a proteção ao pedestre, estabelecendo requisitos de segurança que, se descumpridos, agravam a responsabilidade do condutor.

Tabela: Tipos de indenização possíveis

Confira abaixo os principais tipos de danos que podem ser cobrados:

  • Danos materiais: despesas médicas, medicamentos, transporte para tratamento, perda de rendimentos (comprovados).
  • Danos morais: sofrimento, dor, abalo psicológico (valor arbitrado pelo juiz).
  • Danos estéticos: cicatrizes, deformidades, alteração na aparência (pode ser acumulado com moral).
  • Pensão vitalícia: se a vítima ficou com incapacidade permanente para o trabalho.

Riscos e erros comuns em atropelamento em faixa de pedestre

Um erro comum é não chamar a polícia ou sair do local antes do registro. Sem o boletim de ocorrência, fica difícil comprovar que o acidente aconteceu na faixa. Outro erro é não buscar atendimento médico imediato. Mesmo que o ferimento pareça leve, um laudo médico é essencial para provar a lesão.

Algumas vítimas aceitam acordos verbais ou pagamentos de despesas médicas na hora, sem documentar. Isso pode ser usado contra você, pois o motorista pode alegar que já resolveu. Nunca aceite dinheiro sem um recibo ou acordo escrito com a assistência de um advogado.

Também é perigoso postar fotos ou comentários nas redes sociais antes de resolver a questão judicialmente. O motorista ou a seguradora podem usar isso para minimizar seus ferimentos. Guarde as provas, mas não as divulgue.

  • Não saia do local sem BO e sem contato do motorista.
  • Não aceite acordos informais ou promessas de pagamento.
  • Não deixe de ir ao médico, mesmo que sinta pouca dor.
  • Não publique fotos do acidente nas redes sociais até o fim do processo.

Próximos passos práticos para resolver atropelamento em faixa de pedestre

O primeiro passo é garantir sua segurança e saúde. Se estiver consciente, ligue 190 (Polícia) e 192 (Samu). Peça para alguém anotar os dados do motorista e testemunhas. Depois de receber atendimento médico, vá à delegacia para registrar o BO, levando seus documentos e o número do prontuário.

Em paralelo, comece a reunir os comprovantes de todas as despesas: notas de hospital, receitas, exames, comprovantes de transporte (táxi, Uber) e atestados de afastamento do trabalho. Se você perder dias de serviço, peça ao empregador um comprovante de rendimentos.

Com esses documentos, você pode tentar um acordo extrajudicial com o motorista ou com a seguradora dele (se ele tiver seguro DPVAT ou seguro particular). O DNIT reforça que o pedestre é o mais vulnerável e a lei o protege. Se o acordo não for justo, procure um advogado para avaliar o caso. Ele pode orientar sobre a necessidade de ação judicial.

Lembre-se: o prazo para pedir indenização é de 3 anos (prescrição) a contar do conhecimento do dano. Não deixe para depois.

  • Chame socorro e polícia; registre o BO.
  • Vá ao hospital e guarde todos os documentos médicos.
  • Reúna gastos e perda de rendimentos.
  • Tente acordo extrajudicial com o motorista ou seguradora.
  • Se não houver acordo, consulte um advogado para ação judicial.

Erros comuns relacionados ao tema

  • Aceitar acordo sem assistência jurídica: Muitas vítimas aceitam valores baixos ou promessas verbais. Sem um advogado, você pode abrir mão de direitos sem saber.
  • Não registrar o BO imediatamente: Sem o boletim, a prova do local e das circunstâncias fica prejudicada. O motorista pode negar que estava na faixa.

Perguntas frequentes

Posso pedir indenização mesmo se o motorista não tiver seguro?

Sim. O DPVAT (ou SPVAT) cobre basicamente despesas médicas e invalidez, independentemente de seguro do carro. Além disso, você pode processar o motorista diretamente.

O que fazer se o motorista fugir?

Tente anotar a placa e as características do veículo. A polícia pode localizá-lo. Se não encontrar, você pode acionar o DPVAT e, em alguns casos, o Fundo de Garantia de Seguro DPVAT.

AP

Dra. Ana Paula Barboza

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação em Direito de Família, Cível e Consumidor — conduz cada processo com sensibilidade e estratégia.

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