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Audiência de Conciliação sem Advogado: Os Riscos Reais que Você Precisa Conhecer

Ir a uma audiência de conciliação sem advogado pode parecer uma forma simples de resolver um conflito, mas esconde riscos reais para quem não tem conhecimento jurídico. Nessa audiência, qualquer palavra ou acordo pode se tornar definitivo e valer como sentença, sem chance de voltar atrás. Muita gente pensa que a conciliação é só uma conversa, mas na prática, você pode assinar um documento que abre mão de direitos trabalhistas, previdenciários ou de família sem nem perceber. Este conteúdo explica por que é arriscado comparecer sem assistência jurídica e o que considerar antes de decidir.

Por Dra. Ana Paula Barboza 13 min de leitura

Ir a uma audiência de conciliação sem advogado pode parecer uma forma simples de resolver um conflito, mas esconde riscos reais para quem não tem conhecimento jurídico. Nessa audiência, qualquer palavra ou acordo pode se tornar definitivo e valer como sentença, sem chance de voltar atrás. Muita gente pensa que a conciliação é só uma conversa, mas na prática, você pode assinar um documento que abre mão de direitos trabalhistas, previdenciários ou de família sem nem perceber. Este conteúdo explica por que é arriscado comparecer sem assistência jurídica e o que considerar antes de decidir.

O que muda na prática quando se trata de audiência de conciliação sem advogado

A principal diferença é que, sem advogado, você fica sozinho diante de um profissional – o conciliador – que não pode defender seus interesses. O conciliador é um terceiro imparcial, não seu aliado. Ele pode sugerir acordos, mas não vai alertá-lo sobre cláusulas que prejudicam você. É você quem decide, mas sem saber se aquilo é justo ou legal.

Outra mudança é que o acordo feito na conciliação vale como título executivo judicial. Isso significa que, se você assinar, a outra parte pode cobrar judicialmente o que foi acordado sem precisar de um novo processo. Por exemplo, se você concordar em pagar uma quantia que não deve, terá que pagar ou ter o nome protestado, mesmo que tenha sido engano.

Além disso, sem advogado você pode perder prazos importantes. O Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015) prevê que a audiência de conciliação é obrigatória em muitos casos e que a ausência pode ser considerada ato de desinteresse. Veja o que diz o art. 334: 'Se o autor não comparecer, o juiz extinguirá o processo; se o réu não comparecer, considerar-se-á ato de desinteresse na composição amigável.' Ou seja, faltar pode gerar consequências ruins.

Na prática, isso significa que você precisa decidir se vai sozinho ou não, mas sem entender a lei, fica difícil saber o que é melhor. O ideal é ter um advogado ao lado para traduzir os termos jurídicos e proteger seus direitos.

  • O conciliador não é seu advogado – ele não pode dar conselhos jurídicos nem alertá-lo sobre riscos.
  • Qualquer acordo assinado vira sentença – você não pode desistir depois, mesmo que descubra que foi enganado.
  • Sem advogado, você pode aceitar valores baixos ou abrir mão de direitos como FGTS, multa ou pensão.
  • Na Justiça do Trabalho, a presença de advogado não é obrigatória em algumas causas, mas a empresa geralmente tem um – e aí a disputa fica desequilibrada.

O que a lei diz sobre a audiência de conciliação

O Código de Processo Civil determina que a audiência de conciliação deve ser realizada antes do julgamento, salvo exceções. O art. 334 estabelece que, se ambas as partes concordarem, o juiz pode designar a audiência. Mas a lei não obriga a ter advogado – a parte pode comparecer sozinha, especialmente nos Juizados Especiais Cíveis (Lei 9.099/95), onde causas até 20 salários mínimos permitem que a pessoa se defenda sem advogado.

Porém, mesmo nesses casos, a outra parte pode estar assistida. Além disso, o art. 33 da Lei 9.099/95 diz que as provas devem ser produzidas na audiência de instrução e julgamento, e se você não tiver advogado, pode não saber como apresentar provas importantes para seu direito.

  • Nos Juizados Especiais, você pode ir sem advogado em causas de até 20 salários mínimos.
  • Na Justiça Comum, a falta de advogado não invalida a audiência, mas você fica em desvantagem.
  • A Lei 13.105/2015 (CPC) estimula a conciliação, mas não substitui a orientação jurídica.

Critérios para decidir sobre audiência de conciliação sem advogado com segurança

Nem toda audiência de conciliação exige a presença de advogado, mas é preciso analisar alguns critérios antes de decidir ir sozinho. O primeiro é a complexidade do caso. Se a discussão envolve valores altos, direitos trabalhistas, partilha de bens, guarda de filhos ou pensão alimentícia, o risco de errar é enorme. Uma palavra errada pode custar caro por anos.

Outro critério é a existência de prova documental. Se você tem documentos que comprovam seu direito, mas não sabe como apresentá-los ou argumentar, o conciliador pode não dar o devido peso. Sem advogado, você pode deixar de mencionar um fato importante.

A presença da outra parte com advogado também é decisiva. Se o outro lado está representado, você estará em desvantagem técnica. O advogado da parte contrária conhece a lei e pode pressioná-lo a aceitar um acordo desfavorável.

Na prática, isso significa que, se você tem dúvidas sobre seus direitos, é melhor consultar um advogado antes da audiência. Muitos escritórios oferecem uma conversa inicial para avaliar o caso e dar orientações básicas. Não precisa contratar na hora, mas ter um parecer prévio pode evitar prejuízos.

  1. Avalie a complexidade do caso: Se envolve valores incertos, direitos trabalhistas, partilha de bens, guarda ou pensão, não vá sozinho.
  2. Veja se a outra parte tem advogado: Se sim, a chance de você ser prejudicado aumenta. Considere contratar um advogado.
  3. Leia o termo de audiência com calma: Se for sozinho, não assine nada sem entender cada cláusula. Peça um tempo para refletir.
  4. Consulte um advogado antes da audiência: Uma consulta rápida pode esclarecer seus direitos e os limites do que você pode aceitar.
  5. Considere pedir o adiamento: Se sentir inseguro, você pode solicitar que a audiência seja redesignada para que possa se preparar com assessoria jurídica.

Riscos e erros comuns em audiência de conciliação sem advogado

Os riscos mais comuns são: aceitar um acordo que não cobre todas as parcelas devidas, assinar sem ler, achar que pode mudar de ideia depois e não saber que o acordo é irreversível. Muitos trabalhadores, por exemplo, aceitam um valor baixo na conciliação trabalhista e depois descobrem que tinham direito a muito mais, inclusive multas e FGTS.

Outro erro frequente é confundir conciliação com mediação. Na conciliação, o conciliador pode sugerir termos; na mediação, o mediador apenas facilita o diálogo. Em ambos, o acordo assinado tem força de sentença. O art. 515 do CPC lista o acordo extrajudicial homologado como título executivo judicial.

Também é comum a pessoa achar que pode levar um parente ou amigo para ajudar. Embora o juiz possa permitir, essa pessoa não tem conhecimento jurídico para orientá-lo. O ideal é que seja um advogado, que conhece a lei e pode impugnar cláusulas abusivas.

Na prática, isso significa que você deve desconfiar de acordos feitos rapidamente. O conciliador quer resolver o caso, mas nem sempre o acordo proposto é o melhor para você. É seu direito pedir um tempo para consultar um advogado antes de assinar.

  • Assinar acordo sem ler todas as cláusulas – uma cláusula pode dizer que você desiste de todos os outros direitos.
  • Aceitar valor inferior ao devido por não saber calcular verbas como horas extras, adicional noturno ou pensão.
  • Confundir conciliação com mediação – ambas geram acordo vinculante, mas a conciliação permite sugestões do conciliador.
  • Achar que pode desistir depois – o acordo é definitivo; só pode ser anulado em casos de vício de consentimento como coação ou erro.
  • Não saber que o acordo pode ser executado imediatamente – a outra parte pode cobrar na justiça sem novo processo.

Exemplo real: audiência de conciliação trabalhista sem advogado

Um exemplo comum é o trabalhador que é demitido e vai sozinho à audiência. A empresa, representada por um advogado, oferece um valor para quitar as verbas rescisórias. O trabalhador aceita porque precisa do dinheiro rápido. Depois, descobre que o acordo não incluía o aviso prévio proporcional, as horas extras ou a multa do FGTS. Ele perdeu direitos que valiam o dobro do que recebeu.

A AGU já participou de audiências de conciliação que evitaram a judicialização de ações trabalhistas, mostrando que o acordo pode ser bom, mas desde que as partes estejam em igualdade de condições. Se uma das partes não tem orientação, o acordo tende a ser injusto.

Próximos passos práticos para resolver audiência de conciliação sem advogado

Se você já recebeu a intimação e não tem advogado, respire fundo. Ainda dá tempo de agir. O primeiro passo é não entrar em pânico e entender que você tem direitos. Você pode, por exemplo, solicitar o adiamento da audiência para consultar um advogado. O juiz costuma conceder um prazo para isso, especialmente se você demonstrar boa-fé.

Outra dica é levar todos os documentos relacionados ao caso: contratos, recibos, extratos, mensagens, fotos. Anote os pontos que considera importantes. Durante a audiência, fale apenas o necessário e evite concordar com algo que não entendeu completamente.

Se a audiência já começou e você sente pressão, peça um intervalo. Diga que quer refletir ou consultar alguém. O conciliador não pode impedir. Lembre-se: o acordo é voluntário, você não é obrigado a aceitar nada.

Na prática, isso significa que você pode sair da audiência sem acordo se não estiver seguro. É melhor ficar sem acordo do que assinar um ruim. Depois, você pode buscar orientação jurídica e, se necessário, entrar com uma ação. Aliás, muitas vezes o processo demora mais, mas garante seus direitos.

  • Verifique a data e o local da audiência com antecedência.
  • Separe todos os documentos que comprovam sua versão dos fatos.
  • Anote em papel os pontos que você não quer esquecer de falar.
  • Não assine nada na hora – peça para levar a minuta do acordo e analisar com calma.
  • Se possível, contrate um advogado ao menos para analisar o termo antes de assinar.
  • Lembre-se: a recusa a um acordo não implica perda do direito de discutir o caso em juízo.

Erros comuns relacionados ao tema

  • Achar que o acordo é provisório: Muitas pessoas pensam que o acordo feito na audiência pode ser revisto depois. Não é verdade. O acordo é definitivo e tem força de sentença. Só em casos de vício de consentimento (coação, erro, fraude) é possível anular, mas isso é raro.
  • Confundir conciliação com mediação: Na conciliação, o conciliador pode sugerir termos; na mediação, o mediador apenas facilita o diálogo. Ambos geram acordo vinculante. A diferença importa porque no primeiro você pode ser influenciado pelas sugestões do conciliador.
  • Não levar documentos: Sem documentos, você perde a chance de comprovar seus direitos na hora. O conciliador pode não dar peso a argumentos sem prova. Leia o art. 33 da Lei 9.099/95: as provas são produzidas na audiência.

Perguntas frequentes

Preciso de advogado para ir a uma audiência de conciliação?

Não é obrigatório em todos os casos, mas é altamente recomendado. Sem advogado, você corre riscos de aceitar acordos desfavoráveis. Em causas simples nos Juizados Especiais (até 20 salários mínimos) é permitido ir sem advogado, mas ainda assim é arriscado se a outra parte tiver assistência.

O que acontece se eu não for à audiência de conciliação?

Se você for o autor (quem processa), o juiz pode extinguir o processo. Se for o réu, pode ser considerado desinteresse na composição amigável, o que pode prejudicar sua imagem perante o juiz. O ideal é comparecer ou justificar a ausência.

Posso desistir do acordo depois de assinar?

Não, em regra. O acordo é definitivo e vale como sentença. Só pode ser anulado se você provar que foi coagido, enganado ou estava em erro grave. Por isso, não assine sem entender e refletir.

O conciliador pode me obrigar a fazer um acordo?

Não. A conciliação é voluntária. O conciliador pode sugerir, mas você tem o direito de recusar. Se sentir pressão, peça um tempo ou encerre a audiência sem acordo.

O que fazer se não tenho condições de pagar um advogado?

Procure a Defensoria Pública do seu estado. Ela oferece assistência jurídica gratuita para quem comprovar insuficiência de recursos. Em causas trabalhistas, os sindicatos também podem fornecer advogado.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

AP

Dra. Ana Paula Barboza

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação em Direito de Família, Cível e Consumidor — conduz cada processo com sensibilidade e estratégia.

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