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Cível e Consumidor

Contrato de Honorários: O que Você Precisa Saber Antes de Decidir?

Assinar um contrato de honorários com seu advogado é um passo importante, mas muitos clientes pulam a leitura e só percebem os detalhes depois. Antes de colocar sua assinatura, é essencial entender cada cláusula: o que está sendo cobrado, como e quando pagar, o que está incluso no serviço e quais seus direitos em caso de desistência ou insatisfação. Este conteúdo explica os pontos que merecem atenção, sem juridiquês, para que você se sinta seguro ao firmar esse compromisso.

Por Dra. Ana Paula Barboza 9 min de leitura

Assinar um contrato de honorários com seu advogado é um passo importante, mas muitos clientes pulam a leitura e só percebem os detalhes depois. Antes de colocar sua assinatura, é essencial entender cada cláusula: o que está sendo cobrado, como e quando pagar, o que está incluso no serviço e quais seus direitos em caso de desistência ou insatisfação. Este conteúdo explica os pontos que merecem atenção, sem juridiquês, para que você se sinta seguro ao firmar esse compromisso.

O que o CDC garante diante de contrato de honorários

Você sabia que o Código de Defesa do Consumidor (CDC) pode ser aplicado aos contratos de honorários advocatícios? Sim, porque quando você contrata um advogado, está adquirindo um serviço – e a lei protege o consumidor contra cláusulas abusivas e práticas desleais.

O Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/90) define como 'consumidor' toda pessoa física que adquire um serviço como destinatário final. Isso inclui a contratação de um advogado. Portanto, cláusulas que colocam você em desvantagem exagerada ou que são incompreensíveis podem ser consideradas nulas.

Na prática, isso significa que você não pode ser obrigado a pagar por serviços que não foram claramente descritos, nem ter prazos abusivos para pagamento sem contrapartida. Por exemplo, uma cláusula que diga que você perde o direito de reclamar se não pagar em 24 horas pode ser questionada na Justiça. O CDC ajuda a equilibrar a relação entre cliente e advogado.

  • Cláusulas abusivas (ex.: renúncia a direitos básicos, multa desproporcional) podem ser anuladas.
  • O contrato deve ser redigido de forma clara, com linguagem acessível – se você não entender, peça explicação.
  • O advogado tem o dever de informação: explicar os riscos e os custos antes da assinatura.
  • Em caso de dúvida, o contrato é interpretado de maneira mais favorável ao consumidor (art. 47 CDC).

Como tentar resolver primeiro com o fornecedor (e por que isso importa)

Se surgir um problema com o contrato de honorários (por exemplo, cobrança indevida, serviço não prestado, descumprimento de prazo), tente conversar primeiro com o próprio advogado ou com o escritório. Muitas vezes é um mal-entendido que pode ser resolvido com um diálogo franco.

O Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94) prevê que o advogado deve prestar contas ao cliente e agir com lealdade. Se você sentir que algo está errado, exponha suas razões por escrito (e-mail ou mensagem) e peça esclarecimentos. Isso cria um registro da tentativa de solução.

Na prática, isso significa que antes de acionar a OAB ou o Procon, vale a pena tentar um acordo. O advogado tem interesse em manter sua reputação e evitar desgastes. Muitas vezes, a simples ameaça de uma reclamação formal já faz o escritório reavaliar a cobrança ou ajustar o serviço. Além disso, se o caso for para a Justiça, você terá provas de que tentou resolver de forma amigável.

  • Reúna o contrato e todos os comprovantes de pagamento.
  • Envie uma mensagem clara explicando o problema e o que você espera como solução.
  • Dê um prazo razoável para resposta (5 a 10 dias úteis).
  • Se não houver retorno ou a solução for insatisfatória, guarde o histórico da conversa.

Quando o Procon ajuda e quando vale ação no Juizado

Se a conversa direta não resolver, você pode buscar o Procon. O Procon é um órgão de defesa do consumidor que atua na mediação de conflitos entre consumidores e fornecedores de serviços, incluindo advogados. Em várias cidades do Espírito Santo, como Serra e Vitória, o Procon atende reclamações contra escritórios de advocacia.

O Procon não tem poder para julgar o mérito da causa, mas pode convocar o advogado para uma audiência de conciliação. Se houver acordo, ele é firmado e tem força de título executivo. Se não houver acordo, o Procon pode aplicar multas administrativas, mas não resolve a questão de fundo (por exemplo, se o advogado pede um valor que você acha indevido). Nesse caso, o próximo passo é o Juizado Especial Cível (Lei nº 9.099/95).

Na prática, isso significa que o Juizado é o caminho para ações de até 40 salários mínimos, sem necessidade de advogado (em causas até 20 salários). Lá você pode pedir a anulação de cláusulas abusivas, devolução de valores pagos indevidamente ou indenização por danos morais, desde que tenha provas. Mas lembre-se: antes de ir ao Juizado, é recomendável esgotar as tentativas extrajudiciais, como o contato direto e o Procon.

  • Procon: ideal para reclamações sobre cobrança abusiva, falta de informações, descumprimento de oferta.
  • Juizado Especial: para pedidos de indenização até 40 salários mínimos, com ou sem advogado.
  • Em causas mais complexas ou valores altos, o recomendado é contratar um advogado de sua confiança.
  • Guarde todos os documentos: contrato, e-mails, comprovantes de pagamento, mensagens.

Prazos para reclamar e provas que ajudam o seu lado

Você tem prazos para reclamar sobre o contrato de honorários. O CDC estabelece que a prescrição para exigir a reparação de danos causados por defeito na prestação de serviços é de 5 anos (art. 27). Já para anular cláusulas contratuais abusivas, o prazo é decadencial de 4 anos, conforme o Código Civil (art. 178).

Além disso, se o advogado não prestou contas ou agiu com negligência, você pode representá-lo na OAB. O prazo para reclamação ética é de 5 anos a contar da data do fato (art. 37 do Código de Ética). Quanto mais cedo você agir, melhor.

As provas são fundamentais. Guarde o contrato original, recibos de pagamento, extratos bancários, e-mails e mensagens trocadas com o advogado. Se houver gravações de conversas (com consentimento, de preferência), também valem. Na dúvida, documente tudo.

  • Guarde o contrato assinado e eventuais aditivos.
  • Tire prints das conversas de WhatsApp ou e-mails.
  • Registre o protocolo de reclamação no Procon ou na OAB.
  • Anote datas de audiências, prazos e telefonemas.
  • Se possível, tenha testemunhas que presenciaram a contratação.

Erros comuns relacionados ao tema

  • Assinar sem ler o contrato por completo: Muitas pessoas confiam no advogado e assinam sem ler as entrelinhas. Isso pode trazer surpresas, como cláusulas que preveem honorários extras em caso de recurso, ou a obrigação de pagar mesmo se o serviço for interrompido.
  • Não exigir um contrato escrito: O contrato verbal pode gerar dúvidas sobre o combinado. Exija sempre um documento escrito, que descreva o serviço, o valor, a forma de pagamento e as condições de rescisão.
  • Aceitar percentuais sobre o valor da causa sem entender o cálculo: Em causas trabalhistas ou cíveis, é comum o advogado cobrar percentual sobre o êxito. Certifique-se de que o percentual incide sobre o valor líquido (descontados impostos) e se há previsão para honorários de sucumbência.

Perguntas frequentes

Posso desistir do contrato de honorários a qualquer momento?

Sim, você pode rescindir o contrato a qualquer momento, mas deverá pagar pelos serviços efetivamente prestados até a data da rescisão, conforme previsto no contrato ou, na falta de previsão, o valor proporcional ao trabalho realizado.

O que fazer se o advogado não cumprir o combinado?

Primeiro, tente resolver diretamente com ele. Se não funcionar, registre reclamação na OAB da sua região e, se houver dano material, procure o Juizado Especial Cível ou um advogado para avaliar uma ação.

O contrato de honorários pode ser verbal?

Sim, a lei permite o contrato verbal de honorários (art. 4º da Lei 14.365/2022), mas é arriscado. O ideal é sempre ter um contrato escrito, que sirva de prova do combinado.

O advogado pode cobrar honorários de êxito mesmo se perder a causa?

Não, a cláusula de êxito só é devida se houver sucesso na ação. Se o advogado perder, você não precisa pagar o percentual sobre o êxito, mas pode ter que arcar com despesas e honorários contratuais fixos, se previstos.

Preciso de advogado para reclamar do meu advogado?

Não necessariamente. Você pode ir ao Procon ou ao Juizado Especial sem advogado, desde que o valor da causa não ultrapasse 20 salários mínimos. Mas, se sentir insegurança, consulte outro profissional.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

AP

Dra. Ana Paula Barboza

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação em Direito de Família, Cível e Consumidor — conduz cada processo com sensibilidade e estratégia.

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