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Médico Pode se Recusar a Entregar o Prontuário?

Se você está enfrentando a recusa de um médico ou hospital em entregar o prontuário, saiba que essa atitude pode ser ilegal. O prontuário é um documento do paciente, e não do profissional. Neste conteúdo, explicamos quando a recusa é permitida, quais são seus direitos e os passos para obter o documento de forma segura.

Por Dra. Vaneska Scarppati 9 min de leitura

Se você está enfrentando a recusa de um médico ou hospital em entregar o prontuário, saiba que essa atitude pode ser ilegal. O prontuário é um documento do paciente, e não do profissional. Neste conteúdo, explicamos quando a recusa é permitida, quais são seus direitos e os passos para obter o documento de forma segura.

O que muda na prática quando se trata de médico pode se recusar a entregar o prontuário

Na prática, a recusa do médico em entregar o prontuário pode atrasar um tratamento, dificultar uma segunda opinião ou prejudicar uma ação judicial. O paciente fica sem acesso a informações essenciais sobre sua própria saúde.

A lei brasileira, especialmente a Lei nº 13.787/2018, garante que o prontuário é um documento do paciente. O médico ou hospital tem o dever de fornecê-lo, salvo exceções muito restritas.

Quando a recusa acontece, o paciente não precisa aceitar passivamente. Existem caminhos administrativos simples, como procurar o Conselho Regional de Medicina (CRM) ou a ouvidoria do hospital. Em muitos casos, uma notificação extrajudicial resolve o problema sem processo judicial.

Na prática, isso significa que você pode e deve exigir o prontuário. A recusa injustificada pode gerar consequências para o profissional, como multas e sanções éticas.

O que a lei diz sobre o prontuário médico?

A Lei nº 13.787/2018 trata da digitalização e guarda de prontuários. Ela deixa claro que o prontuário pertence ao paciente e deve ser disponibilizado sempre que solicitado.

Além disso, o Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 2.217/2018) proíbe o médico de negar acesso ao prontuário, salvo se houver justificativa plausível, como risco de danos ao paciente ao ter acesso a determinadas informações.

Se o médico se recusar, ele pode ser denunciado ao CRM do seu estado por infração ética.

Critérios para decidir sobre médico pode se recusar a entregar o prontuário com segurança

Nem toda recusa é ilegal. Existem situações em que o médico pode negar o acesso ao prontuário, mas são raras e precisam ser bem fundamentadas.

A principal hipótese de recusa permitida é quando o médico avalia que o conhecimento do conteúdo pode causar danos psicológicos graves ao paciente. Por exemplo, em casos de doenças terminais ou transtornos psiquiátricos severos. Nesses casos, o médico pode repassar as informações a um representante legal.

Outra situação é quando o pedido parte de terceiros sem autorização do paciente. O prontuário é sigiloso e só pode ser entregue a terceiros com consentimento expresso do paciente ou por ordem judicial. Um documento do HU-UFGD reforça essa regra.

Na prática, isso significa que a recusa mais comum ("o prontuário é meu") é ilegal. Você tem direito a uma cópia, mesmo que tenha que pagar pelo custo do papel ou digitalização.

Tabela: Quando a recusa é permitida e quando não é

A tabela abaixo compara situações comuns de recusa e se elas são legais ou não.

Riscos e erros comuns em médico pode se recusar a entregar o prontuário

Muitas pessoas cometem erros que atrapalham a obtenção do prontuário. O primeiro é aceitar a recusa sem questionar. Acreditam que o médico tem autoridade para reter o documento, mas isso não é verdade.

Outro erro é não documentar a recusa. Se o pedido foi verbal, anote data, horário e nome de quem recusou. Se possível, registre por e-mail ou protocolo. Isso fortalece uma eventual reclamação.

Também é comum tentar resolver agressivamente, com ameaças. O melhor caminho é educado e formal. Uma carta simples pedindo o prontuário já resolve a maioria dos casos.

Há quem recorra direto ao judiciário sem tentar vias administrativas. Embora seja possível, o processo demora mais. Antes, procure o CRM, a ouvidoria do hospital ou o Procon se for serviço privado.

Na prática, isso significa que manter a calma e agir de forma documentada é o mais eficaz.

Erros comuns em detalhes

Acreditar que o prontuário é do médico – Não é. O documento é do paciente, o médico é apenas o guardião.

Pedir o prontuário original – Você tem direito à cópia, não ao original, que fica arquivado.

Não especificar o período – Peça o prontuário completo ou de um intervalo específico.

Desistir após uma primeira recusa – Insista de forma educada e formal.

Próximos passos práticos para resolver médico pode se recusar a entregar o prontuário

Se o médico se recusar a entregar o prontuário, siga estes passos. Eles são organizados do mais simples ao mais complexo.

Primeiro, faça um pedido formal por escrito. Pode ser um e-mail ou carta registrada. Informe seu nome, dados do paciente (se for você), período do atendimento e solicitação de cópia integral.

Se a recusa persistir, procure o Conselho Regional de Medicina (CRM) do seu estado. O CRM tem poder para abrir investigação ética contra o médico.

Outra opção é o Procon, se o atendimento foi em serviço privado. A recusa pode ser considerada prática abusiva.

Caso nada funcione, um advogado pode notificar o hospital ou ingressar com ação judicial. Mas lembre: o processo é a exceção.

Na prática, isso significa que você tem várias alternativas antes de pensar em justiça.

  • Faça um pedido formal e documentado (e-mail, carta com protocolo).
  • Guarde todos os comprovantes de comunicação e recusa.
  • Denuncie ao Conselho Regional de Medicina (CRM).
  • Procure o Procon se for serviço privado.
  • Consulte um advogado apenas se as vias administrativas esgotarem.
  • Evite ameaças; mantenha tom educado e profissional.

Checklist de documentos e informações que você deve ter em mãos

Antes de iniciar qualquer pedido, separe o seguinte:

  • Documento de identidade com foto (RG, CNH).
  • Comprovante de atendimento (receita, guia, relatório).
  • Nome completo e CRM do médico, se souber.
  • Datas dos atendimentos que quer no prontuário.
  • E-mail ou endereço para envio da cópia.

Erros comuns relacionados ao tema

ItemO que significa
Acreditar que o prontuário é propriedade do médicoMuitos pacientes acham que o médico pode reter o prontuário como bem entender. Na verdade, o prontuário é um documento do paciente, e o médico é apenas seu guardião. A recusa sem justificativa é ilegal.
Não documentar o pedido de prontuárioPedidos verbais são difíceis de comprovar. Sempre solicite por escrito (e-mail, carta) e guarde protocolos. Isso ajuda em reclamações futuras.
Ameaçar o médico agressivamenteAmeaças ou agressividade podem complicar a situação. O melhor é agir com educação e firmeza, seguindo os canais corretos.
Ir direto à Justiça sem antes tentar vias administrativasProcessos judiciais demoram. Antes, tente CRM, Procon ou ouvidoria do hospital. Na maioria dos casos, resolve-se sem advogado.

Perguntas frequentes

Preciso de advogado para pedir o prontuário?

Na maioria dos casos, não. Você mesmo pode solicitar por escrito. Se a recusa persistir, um advogado pode ajudar com notificação ou ação judicial.

O médico pode cobrar pela cópia do prontuário?

Sim, pode cobrar o custo de reprodução (papel, digitalização). Mas não pode lucrar nem recusar se você não pagar o valor abusivo. O valor deve ser razoável.

O prontuário digital tem o mesmo valor legal?

Sim, desde que assinado digitalmente e armazenado conforme a Lei nº 13.787/2018. Pode ser usado como prova.

Quanto tempo o médico tem para entregar o prontuário?

Não há prazo exato na lei, mas a jurisprudência indica que deve ser em tempo razoável, geralmente de 5 a 15 dias. Se houver demora, reclame.

O médico pode se recusar a entregar o prontuário de um paciente falecido?

Não. Familiares ou representantes legais têm direito ao prontuário, desde que comprovem o parentesco ou a representação.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

VS

Dra. Vaneska Scarppati

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação estratégica em Direito Trabalhista, Previdenciário e Cível, com foco em resultado prático para a pessoa que vive a situação.

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