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Queimadura em Laser, Luz Pulsada ou Peeling: Como Processar a Clínica?

Se você sofreu queimadura durante um procedimento estético com laser, luz pulsada ou peeling, existem caminhos legais para buscar reparação. O primeiro passo é reunir provas e registrar a ocorrência junto aos órgãos de defesa do consumidor antes de pensar em ação judicial. Este conteúdo orienta o passo a passo para quem quer entender como proceder, sem promessas de resultado – cada caso é único.

Por Dra. Ana Paula Barboza 10 min de leitura

Se você sofreu queimadura durante um procedimento estético com laser, luz pulsada ou peeling, existem caminhos legais para buscar reparação. O primeiro passo é reunir provas e registrar a ocorrência junto aos órgãos de defesa do consumidor antes de pensar em ação judicial. Este conteúdo orienta o passo a passo para quem quer entender como proceder, sem promessas de resultado – cada caso é único.

O passo a passo geral em queimadura em laser, luz pulsada ou peeling

Após sofrer a queimadura, a primeira atitude é buscar atendimento médico para registrar a lesão. Esse laudo será a prova principal do dano. Em paralelo, fotografe as lesões em boa qualidade, com data e identificação do local.

O segundo passo é entrar em contato com a clínica ou profissional que realizou o procedimento. Muitas vezes, um acordo amigável resolve antes da judicialização. Se não houver resposta ou se a proposta for insatisfatória, registre uma reclamação no Procon do seu estado. No caso de procedimento que deveria ser coberto por plano de saúde, a ANS também pode ser acionada. A Nota Técnica nº 2/2024/SEI/GGTES/DIRE3/ANVISA esclarece que serviços estéticos devem seguir normas sanitárias rigorosas – o descumprimento pode ser usado como prova de falha na prestação do serviço.

Se todas as tentativas extrajudiciais falharem, aí sim se inicia a via judicial. Você precisará de um advogado para ingressar com uma ação indenizatória. O pedido pode incluir danos materiais (gastos com tratamento) e danos morais (pelo sofrimento). Na prática, isso significa que o processo é o último recurso, mas muitas vezes necessário quando a clínica se recusa a reparar o dano.

  • Procure um médico e obtenha laudo detalhado da lesão.
  • Fotografe as queimaduras em diferentes ângulos e com boa iluminação.
  • Reúna todos os documentos: contrato, termo de consentimento, notas fiscais.
  • Tente contato com a clínica para resolver amigavelmente.
  • Registre reclamação no Procon (presencial ou online).
  • Consulte um advogado para analisar o caso e ajuizar ação se necessário.
  1. Documente a lesão: Faça fotos e obtenha laudo médico ainda no dia.
  2. Reúna provas do procedimento: Contrato, termo de consentimento, notas, comprovantes.
  3. Tente resolver fora do tribunal: Contate a clínica, depois Procon.
  4. Busque orientação jurídica: Advogado especializado em direito do consumidor ou cível.

Comparativo: via extrajudicial vs. judicial

A tabela abaixo mostra as principais diferenças entre resolver o caso sem processo (extrajudicial) e com processo (judicial).

EtapaExtrajudicialJudicial
CustoGeralmente gratuito (Procon)Custas processuais e honorários advocatícios
PrazoPode levar semanasMeses a anos
ResultadoAcordo ou nãoSentença judicial
ObrigatoriedadeNão obrigatório, mas recomendadoÚltimo recurso

Documentos e provas que costumam ser pedidos

Para qualquer ação de indenização, as provas são essenciais. Comece pelo contrato assinado antes do procedimento – ele pode conter cláusulas sobre riscos. O termo de consentimento livre e esclarecido também é importante, pois mostra se você foi informado dos possíveis efeitos.

Além disso, junte todas as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Eles comprovam a relação de consumo. Se a queimadura causou gastos com medicamentos, curativos ou consultas médicas, guarde todos os recibos.

As fotos das lesões são provas visuais poderosas. Tire fotos em diferentes momentos, mostrando a evolução. Laudos médicos, prontuários e atestados são fundamentais para provar a extensão do dano. Também colete testemunhos de pessoas que presenciaram o ocorrido ou o estado das lesões.

  • Contrato e termo de consentimento do procedimento.
  • Notas fiscais e comprovantes de pagamento.
  • Fotos das lesões (com data e identificação).
  • Laudos médicos, prontuários e atestados.
  • Recibos de medicamentos e tratamentos adicionais.
  • Registro de reclamação no Procon (se houver).

Prazos e atos que dependem de você (e os que o(a) advogado(a) cuida)

Você é responsável por reunir as provas e buscar atendimento médico. Documentar a lesão assim que ocorre é crucial – isso não pode ser feito pelo advogado meses depois. Também cabe a você registrar a reclamação no Procon se desejar a via extrajudicial.

O advogado, por sua vez, irá analisar a viabilidade jurídica do caso, calcular os danos (materiais e morais), e protocolar a ação. Ele também cuidará dos prazos processuais, como citação da parte contrária e audiências. Em casos urgentes, pode pedir uma tutela de urgência para tratamento médico.

Quanto aos prazos legais, a ação de reparação de danos por relação de consumo tem prazo prescricional de cinco anos, conforme o artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90). No entanto, se o procedimento foi realizado por um médico, pode incidir o prazo de três anos do Código Civil. Na prática, isso significa que você não deve demorar para buscar orientação jurídica, sob risco de perder o direito de processar.

Lembre-se de que a Nota Técnica da ANVISA mencionada anteriormente reforça a obrigação dos serviços estéticos de seguirem normas sanitárias. Se a clínica descumpriu essas regras, isso fortalece seu pedido de indenização.

Erros comuns que costumam atrapalhar o resultado

Um erro comum é não tirar fotos das lesões logo após o procedimento. Sem provas visuais, fica mais difícil demonstrar a extensão do dano. Outro equívoco é aceitar um acordo rápido oferecido pela clínica, muitas vezes abaixo do valor real do prejuízo – consulte um advogado antes.

Também é frequente a pessoa não registrar a ocorrência no Procon ou na ouvidoria, perdendo a chance de resolver sem processo. Além disso, guardar apenas parte dos documentos (como o contrato, mas não os recibos) enfraquece a prova do vínculo de consumo.

Por fim, muitos clientes demoram a procurar um advogado, deixando passar prazos importantes. Se houver necessidade de tratamento médico urgente, o advogado pode pedir uma liminar para garantir o atendimento. Não espere a lesão cicatrizar para buscar ajuda.

Erros comuns relacionados ao tema

ItemO que significa
Não fotografar as lesões imediatamenteFotos tiradas dias depois perdem força como prova da gravidade inicial. Tire fotos assim que notar a queimadura.
Aceitar acordo sem orientação jurídicaClínicas podem oferecer valores baixos para evitar processo. Consulte um advogado antes de assinar qualquer acordo.
Não registrar reclamação no ProconO Procon pode intermediar uma solução rápida e gratuita. Além disso, o registro serve como prova extrajudicial.
Guardar apenas parte dos documentosSem contrato, notas ou comprovantes, fica difícil comprovar a relação de consumo e os gastos.
Demorar para procurar um advogadoOs prazos prescricionais podem expirar. Além disso, o advogado pode precisar de provas que se perdem com o tempo.

Perguntas frequentes

Preciso de advogado para processar a clínica?

Não é obrigatório, mas altamente recomendado. Um advogado saberá calcular os danos corretamente, cumprir prazos e apresentar as provas da melhor forma. Ação indenizatória na Justiça exige conhecimento técnico.

Quanto tempo tenho para entrar com a ação?

Em relações de consumo, o prazo é de 5 anos a partir do conhecimento do dano (art. 27 do CDC). Se o procedimento foi feito por médico, o prazo pode ser de 3 anos (Código Civil). Consulte um advogado para não perder o prazo.

Posso pedir indenização mesmo tendo assinado um termo de risco?

Sim, se houve negligência, imprudência ou imperícia do profissional. O termo de consentimento não isenta a clínica de responsabilidade por falhas na execução do serviço.

O que caracteriza dano moral nesses casos?

Dor, sofrimento, cicatrizes permanentes, constrangimento, abalo psicológico. O juiz avalia cada caso para fixar o valor.

O plano de saúde cobre o tratamento da queimadura?

Depende do contrato. Mas procedimentos para reparar lesões decorrentes de tratamento estético podem ser cobertos se houver indicação médica. A Tabela TUSS/ANS lista procedimentos que os planos devem cobrir.

O que fazer se a clínica se recusar a fornecer meu prontuário?

Você tem direito de acesso aos seus dados. Se negado, registre queixa no Procon e, se necessário, o advogado pode solicitar judicialmente.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a).

AP

Dra. Ana Paula Barboza

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação em Direito de Família, Cível e Consumidor — conduz cada processo com sensibilidade e estratégia.

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