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Cível e Consumidor

Recurso contra a sentença: quanto tempo a mais o processo leva

Prazos de apelação e contrarrazões, o que acontece no tribunal e por que a espera maior está na fase de julgamento.

Por Dra. Ana Paula Barboza 5 min de leitura

Recorrer da sentença adia o fim do processo, e o acréscimo raramente é curto. O prazo para apelar é de 15 dias úteis; a outra parte tem os mesmos 15 dias úteis para responder. Só então os autos sobem ao tribunal, onde entram na fila de distribuição e julgamento. A lei não fixa prazo para o tribunal decidir.

Traduzindo em expectativa realista: a fase de recurso costuma somar de alguns meses a mais de um ano, dependendo do tribunal, da complexidade da causa e de quantos recursos vierem depois do primeiro. Ninguém consegue prometer data — e desconfie de quem prometer. O que dá para fazer é entender cada etapa, saber onde o processo costuma parar e decidir com informação se o recurso compensa.

O prazo para recorrer e como ele é contado

Da sentença cabe apelação, no prazo de 15 dias. Esse prazo é contado em dias úteis, regra do CPC que vale para todos os prazos processuais e muda bastante a conta: 15 dias úteis costumam corresponder a três semanas de calendário, e mais do que isso se houver feriado.

A contagem exclui o dia do começo e inclui o do vencimento, e só começa no primeiro dia útil seguinte ao da publicação. Perder esse prazo é fatal: a sentença transita em julgado e não há como reabrir a discussão por recurso comum. Por isso vale acompanhar a movimentação — quem sabe como acompanhar o andamento do próprio processo percebe a publicação no mesmo dia, e não uma semana depois.

Nos Juizados Especiais Cíveis o regime é outro: o recurso da sentença é interposto em 10 dias, e o preparo é recolhido logo em seguida, independentemente de intimação.

O caminho da apelação até o julgamento

Depois de protocolada a apelação, o juiz de primeiro grau intima a parte contrária para contrarrazões e remete os autos ao tribunal sem fazer juízo de admissibilidade — quem decide se o recurso é ou não cabível é o próprio tribunal. Lá, o processo é distribuído a um relator, pode passar pelo Ministério Público quando houver interesse que justifique a intervenção, entra em pauta e é julgado por um colegiado.

O relator também pode decidir sozinho em situações previstas em lei — por exemplo, quando a sentença contraria súmula ou tese firmada em julgamento de casos repetitivos. Decisão monocrática é mais rápida, mas abre espaço para agravo interno em 15 dias, o que devolve o caso ao colegiado.

Quanto tempo cada etapa costuma consumir

EtapaPrazo previsto em lei
Interposição da apelação15 dias úteis da publicação da sentença (10 dias corridos nos Juizados Especiais).
Contrarrazões15 dias úteis, contados da intimação da parte contrária.
Remessa e distribuição no tribunalSem prazo legal fechado; é etapa administrativa e varia com o volume da corte.
Julgamento pelo colegiadoSem prazo legal. É aqui que se concentra a maior parte da espera.
Embargos de declaração5 dias úteis, para corrigir omissão, contradição, obscuridade ou erro material.
Recurso especial ou extraordinário15 dias úteis, com nova etapa de admissibilidade na origem antes de subir a Brasília.

Repare: os prazos das partes são curtos e previsíveis; o tempo indefinido está nas etapas do tribunal. O CNJ publica indicadores de tempo médio por tribunal e por classe processual — é a fonte a consultar para um parâmetro atualizado, em vez de uma estimativa genérica.

A sentença vale enquanto o recurso corre?

Em regra, não: a apelação tem efeito suspensivo, ou seja, segura os efeitos da sentença até o julgamento. Mas o CPC lista exceções relevantes, em que a sentença produz efeito imediatamente — entre elas a que condena a pagar alimentos, a que extingue o processo sem resolução do mérito, a que julga improcedentes os embargos do executado e a que confirma, concede ou revoga tutela provisória.

Nessas hipóteses cabe cumprimento provisório: o vencedor já pode começar a executar, assumindo o compromisso de reparar prejuízos se o tribunal reformar a decisão. Nas demais, é preciso esperar o trânsito em julgado para pedir o dinheiro — e aí começa outra contagem, a do tempo até o valor efetivamente entrar na conta.

Quanto custa recorrer

  • Preparo. Deve ser comprovado no ato da interposição, sob pena de deserção. Recolhimento insuficiente é intimado para complementação; falta total leva à intimação para pagar em dobro.
  • Gratuidade da justiça. O beneficiário é dispensado do preparo, o que retira essa barreira financeira do recurso.
  • Honorários recursais. Ao julgar o recurso, o tribunal majora os honorários já fixados, considerando o trabalho adicional. Perder em segundo grau custa mais caro do que perder em primeiro.
  • Juizados Especiais. Em segundo grau, o recorrente vencido responde por custas e honorários fixados entre 10% e 20% do valor da condenação.

Depois do acórdão ainda cabe recurso

Sim, e é isso que explica processos que se arrastam. Do acórdão cabem embargos de declaração em 5 dias úteis e, presentes requisitos bem específicos, recurso especial ao STJ ou extraordinário ao STF em 15 dias úteis. Esses recursos não servem para rediscutir prova: exigem violação a lei federal ou questão constitucional com repercussão geral. Por isso em muitos casos termina no acórdão do tribunal estadual.

Se a sentença foi desfavorável e você está avaliando alternativas, o ponto de partida é entender quando cabe recurso e quando cabe nova ação — nem toda derrota se resolve recorrendo.

Erros que atrasam ainda mais

  • Contar o prazo em dias corridos e protocolar fora do tempo.
  • Esquecer o preparo ou recolher guia errada, gerando deserção.
  • Usar embargos de declaração como recurso disfarçado, o que pode render multa por caráter protelatório.
  • Repetir a petição inicial no lugar de atacar os fundamentos da sentença — recurso que não impugna a decisão não é conhecido.
  • Recorrer por inércia, sem calcular que a espera adicional pode valer menos do que um acordo imediato.

Antes de decidir, some três variáveis: a chance real de reforma, o custo do preparo e dos honorários recursais e quanto tempo você suporta esperar. Esse cálculo é o mesmo que se faz ao estimar quanto um processo cível leva até a sentença, só que agora com um dado a mais: você já sabe o que o juiz pensou do seu caso.

Base legal

O que cada norma garante

  • CPC, art. 1.009 — estabelece que da sentença cabe apelação.
  • CPC, art. 1.003, §5º — fixa em 15 dias o prazo para interpor e para responder aos recursos, ressalvados os embargos de declaração.
  • CPC, art. 219 — determina que os prazos processuais em dias sejam contados apenas em dias úteis.
  • CPC, art. 1.010 — disciplina as contrarrazões e a remessa dos autos ao tribunal, sem juízo de admissibilidade na origem.
  • CPC, art. 1.012 — dá efeito suspensivo à apelação como regra e lista as sentenças que produzem efeito imediato.
  • CPC, art. 1.007 — exige a comprovação do preparo na interposição, sob pena de deserção, e disciplina a complementação.
  • CPC, art. 85, §11 — permite ao tribunal majorar os honorários em razão do trabalho adicional em grau recursal.
  • CPC, art. 1.023 — fixa em 5 dias o prazo dos embargos de declaração.
  • Lei 9.099/95, arts. 42 e 55 — nos Juizados, o recurso é interposto em 10 dias e o recorrente vencido paga custas e honorários de 10% a 20% da condenação.

Se a sua causa está na área Cível e Consumidor, some ainda a possibilidade de tutela provisória em grau recursal, que às vezes resolve a urgência mesmo com o mérito pendente.

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora um recurso contra a sentença?

Os prazos das partes somam cerca de 30 dias úteis entre apelação e contrarrazões. O tempo no tribunal não tem prazo legal e costuma variar de alguns meses a mais de um ano, conforme a corte e a complexidade.

Qual é o prazo para apelar?

15 dias úteis, contados do primeiro dia útil seguinte à publicação da sentença. Nos Juizados Especiais Cíveis o recurso é interposto em 10 dias.

Preciso pagar para recorrer?

Sim, o preparo deve ser comprovado no ato da interposição, sob pena de deserção. Quem tem gratuidade da justiça é dispensado do recolhimento.

A outra parte pode receber o dinheiro enquanto o recurso corre?

Depende. A apelação em regra tem efeito suspensivo, mas há sentenças que produzem efeito imediato e admitem cumprimento provisório, como as que fixam alimentos ou confirmam tutela provisória.

Vale a pena recorrer só para ganhar tempo?

Não costuma compensar. Recurso sem fundamento pode ser considerado protelatório, render multa e ainda gerar majoração dos honorários devidos à outra parte.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do caso por um(a) advogado(a). O escritório tem sede em Serra-ES e atende a Grande Vitória e demais cidades do Espírito Santo.

Dra. Ana Paula Barboza, sócia-fundadora da Scarppati & Barboza Advocacia. Atuação em Direito de Família, Cível e Consumidor — conduz cada processo com sensibilidade e estratégia.

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Dra. Ana Paula Barboza

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

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