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Quanto Tempo Tenho para Processar: O que Você Precisa Saber Antes de Decidir?

Se você sofreu um erro médico, uma das primeiras dúvidas que surge é: quanto tempo tenho para processar por erro médico? A resposta não é única. Depende de como foi a relação com o médico ou hospital. Em geral, você tem entre 3 e 5 anos para entrar com uma ação de indenização, mas é essencial entender a partir de quando esse prazo começa a contar e quais as diferenças entre as situações.

Por Dra. Vaneska Scarppati 7 min de leitura

Se você sofreu um erro médico, uma das primeiras dúvidas que surge é: quanto tempo tenho para processar por erro médico? A resposta não é única. Depende de como foi a relação com o médico ou hospital. Em geral, você tem entre 3 e 5 anos para entrar com uma ação de indenização, mas é essencial entender a partir de quando esse prazo começa a contar e quais as diferenças entre as situações.

O que muda na prática quando se trata de quanto tempo tenho para processar por erro médico

A diferença entre 3 e 5 anos pode parecer pequena, mas na prática define se você ainda pode buscar indenização. Se você teve um contrato direto com o médico ou com o hospital (pagamento particular, plano de saúde), o prazo é de 5 anos. Isso porque o Código de Defesa do Consumidor (CDC) considera essa relação como de consumo. Já se o atendimento foi pelo SUS, em pronto-socorro sem vínculo contratual, ou em situação de emergência sem contrato, o prazo cai para 3 anos, segundo o Código Civil.

Outro ponto que muda na prática é o início da contagem. O prazo não começa no dia do erro médico, mas sim no momento em que você toma conhecimento do dano. Por exemplo, se um instrumento cirúrgico foi esquecido dentro do seu corpo e você só descobre 2 anos depois, o prazo para processar começa nessa data de descoberta.

Esse entendimento é consolidado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que editou a Súmula 634. Portanto, não se desespere se descobriu o erro há algum tempo; o importante é agir assim que souber. Na prática, isso significa que você deve buscar orientação jurídica rapidamente para não perder o prazo correto.

Critérios para decidir sobre quanto tempo tenho para processar por erro médico com segurança

Para saber exatamente quanto tempo você tem, é preciso analisar alguns critérios. O primeiro é a natureza da relação: havia um contrato? Você pagou diretamente ou tem plano de saúde? Se sim, a prescrição é de 5 anos (art. 27 do CDC). Se o atendimento foi público (SUS, hospital público) ou gratuito sem vínculo contratual, o prazo é de 3 anos (art. 206, §3°, V do Código Civil).

O segundo critério é a data do conhecimento do dano. O STJ entende que o prazo prescricional só começa quando a vítima tem ciência inequívoca do erro e de sua extensão. Isso protege você em casos de danos que demoram a se manifestar, como infecções hospitalares ou sequelas tardias.

O terceiro é a continuidade do dano. Se o erro médico gera um estado permanente (por exemplo, uma lesão que precisa de tratamentos contínuos), o prazo pode ser contado de forma diferente. Em geral, a contagem se inicia no momento em que o tratamento se encerra ou quando o dano se estabiliza.

  • Verifique se você tinha contrato com o médico ou hospital (papéis, recibos, guias de plano).
  • Anote a data exata em que descobriu o erro: seja por exame, laudo, ou agravamento do quadro.
  • Reúna todos os documentos médicos desde o início do tratamento até o diagnóstico do erro.
  • Consulte um advogado para confirmar qual prazo se aplica ao seu caso específico.
  • Não confie em prazos genéricos: cada caso tem particularidades que podem alterar a contagem.

Riscos e erros comuns em quanto tempo tenho para processar por erro médico

Um erro muito comum é achar que o prazo para processar por erro médico é de 10 anos, que é o prazo geral do Código Civil para ações pessoais. Isso não é verdade. Existem prazos específicos mais curtos para responsabilidade civil médica, e perdê-los significa perder o direito à indenização.

Outro engano é contar o prazo a partir da data do procedimento, e não da descoberta do dano. Muitas pessoas acham que já passou muito tempo, mas podem ainda estar dentro do prazo se só descobriram o erro recentemente. Por outro lado, algumas pessoas descobrem o erro cedo e demoram para agir, perdendo o prazo.

Há também o risco de não documentar adequadamente os fatos. Sem provas, fica difícil comprovar o erro e até mesmo a data de ciência. Além disso, postar detalhes nas redes sociais pode prejudicar a ação, pois pode ser usado contra você.

Próximos passos práticos para resolver quanto tempo tenho para processar por erro médico

Se você desconfia que foi vítima de erro médico, o primeiro passo é reunir toda a documentação: prontuários, exames, receitas, contas, e-mails, mensagens. Anote tudo o que você se lembra sobre o atendimento: datas, nomes, o que foi dito. Isso ajuda o advogado a entender o caso e a definir o prazo correto.

Em segundo lugar, marque uma consulta com um advogado especializado em direito médico ou responsabilidade civil. Leve os documentos e explique a situação. O advogado poderá informar se o prazo já está correndo e quanto tempo resta.

Não compartilhe detalhes do caso em redes sociais ou grupos de WhatsApp, pois isso pode ser usado como prova contrária. Também evite falar diretamente com o médico ou hospital sobre a intenção de processar, pois eles podem se preparar ou destruir provas.

  • Reúna prontuários, exames e receitas médicas.
  • Registre por escrito toda a cronologia do atendimento e do erro.
  • Identifique testemunhas que possam confirmar os fatos.
  • Procure um advogado o mais rápido possível, mesmo que o prazo pareça longo.
  • Guarde cópias digitais de todos os documentos em local seguro.

Prazos legais para quanto tempo tenho para processar por erro médico (e o que acontece se perder)

A lei brasileira estabelece prazos diferentes para processar por erro médico. Se o erro ocorreu em uma relação de consumo (contrato com médico particular ou plano de saúde), o prazo é de 5 anos, conforme o artigo 27 do Código de Defesa do Consumidor. Se foi em uma relação sem contrato (SUS, hospital público, emergência), aplica-se o artigo 206, §3°, V do Código Civil, que determina 3 anos.

A tabela abaixo resume as diferenças:

O STJ consolidou esse entendimento na Súmula 634, que diz: 'A pretensão de reparação civil por erro médico prescreve em 5 anos, se contratual, e em 3 anos, se extracontratual.' Portanto, se você perdeu o prazo, perde o direito de exigir indenização na Justiça. Isso se chama prescrição: o direito de ação é extinto.

Tabela comparativa dos prazos

Erros comuns relacionados ao tema

  • Achar que o prazo é sempre de 10 anos: Muitos acreditam que o prazo geral de 10 anos do Código Civil se aplica a casos de erro médico, mas existem prazos específicos mais curtos (3 ou 5 anos).
  • Contar o prazo da data do procedimento: O prazo começa a contar do conhecimento do dano, não da data do erro. Quem descobre o erro tardiamente pode ainda estar dentro do prazo.
  • Não guardar provas adequadamente: Sem documentos como prontuários e exames, fica difícil comprovar o erro e a data de ciência, prejudicando a ação.
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Dra. Vaneska Scarppati

Sócia-fundadora — Scarppati & Barboza Advocacia

Atuação estratégica em Direito Trabalhista, Previdenciário e Cível, com foco em resultado prático para a pessoa que vive a situação.

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